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 ENTREVISTA
27/06/2001
continua...

Do tostão ao milhão

Economista Mauro Halfeld mostra que poupar exige
disciplina, mas é possível se aposentar milionário, economizando só R$ 10 por dia


Ouça trechos da entrevista
Com R$ 10,00 chegamos
a R$ 1 milhão
Caderneta de Poupança
não adianta
O brasileiro comete equívocos financeiros
Quase ninguém sabe calcular juros embutidos Na inflação desaprendemos
a poupar
O crédito ontem
e hoje
É necessário ter instalado o plug-in
Windows Media Player

 Leia trecho do livro Investimentos
Pessoas humildes que conseguem
acumular invejáveis patrimônios

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Luiza Villaméa

André Sarmento

Hafeld: “Ficamos míopes por causa da inflação”

Experiência no mercado financeiro é o que não falta ao economista Mauro Halfeld, 37 anos, que começou a comprar ações ainda na adolescência. Mineiro de Juiz de Fora, ele acaba de lançar um manual que mostra ser possível juntar R$ 1 milhão para os tempos da aposentadoria, poupando apenas R$ 10 por dia. “Não fiz um manual para o pão-duro”, diz Halfeld. “Quero apenas que as pessoas possam usufruir mais o dinheiro que elas ganham.” Com pós-doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, ele é professor catedrático de economia da Universidade Federal do Paraná.

No livro Investimentos – como administrar melhor seu dinheiro, da editora Fundamento, Halfeld não recorre em nenhum momento ao “economês”, aquela linguagem hermética que muitos economistas adotam. Na obra, ele explica que é possível poupar nos momentos de crise e sugere investimentos de acordo com as possibilidades de cada um. Com isso, está fazendo sucesso nos mais variados ambientes. Seu manual está sendo presenteado a clientes especiais de corretoras de renome, mas também está sendo discutido em comunidades carentes, como aconteceu na terça-feira 19, numa escola pública da periferia de São Paulo. A seguir, os principais trechos de sua entrevista.

ISTOÉ – O brasileiro é bom investidor?
Mauro Halfeld – No esforço de poupar, perdemos para os europeus. Mas não estamos muito longe dos americanos. Alguns têm sucesso, mas a maioria patina. Infelizmente não temos uma boa educação financeira. Quase ninguém sabe calcular os juros embutidos em uma prestação ou tem visão de longo prazo. Ficamos míopes por conta da inflação que nos obrigava a pensar no curtíssimo prazo.

ISTOÉ – Então o próprio mercado brasileiro não ajuda.
Halfeld – Pois é. Adoraria se um dia as crianças tivessem, no ensino fundamental, noções básicas de matemática financeira, de economia. Elas fariam uma revolução silenciosa neste país. As pessoas deixariam de transferir boa parte da renda delas para os juros dos financiamentos, que aqui são exorbitantemente altos. É um absurdo pagar 10% de juros ao mês, como cobram pelo cheque especial e pelo cartão de crédito. Não é à toa que Einstein disse que os juros são a mais poderosa invenção do homem.

ISTOÉ – É mais fácil poupar nos Estados Unidos e na Europa?
Halfeld – Com certeza. O sistema financeiro brasileiro está se aprimorando, mas ainda não oferece todas as alternativas que existem na Europa e nos Estados Unidos. Lá as pessoas têm noção do que é longo prazo. Como não viveram esta hiperinflação, fazem orçamento doméstico. Nossos pais e nossos avós também faziam orçamento. Com a inflação, porém, perdemos este hábito. Ninguém mais planeja. A gente sai gastando. No final, muitos percebem que estão endividados e não conseguem sair desse círculo vicioso.

ISTOÉ – No seu livro, o sr. diz que é fácil ser milionário...
Halfeld – Teoricamente, não é difícil ter R$ 1 milhão. Basta poupar R$ 10 por dia, que seriam R$ 300 por mês, ao longo de 35 anos. Vamos supor que a pessoa comece aos 30 anos. Quando ela chegar aos 65 anos, terá R$ 1 milhão, sendo que R$ 129 mil saíram do bolso dela. O resto, R$ 871 mil, é fruto do rendimento dessa aplicação, a uma taxa de 10% ao ano. Quem começar a poupar aos 40 anos precisará desembolsar R$ 254 mil. Quanto mais tempo demorar para começar a poupança, maior será a quantia investida e menor o ganho com os rendimentos.

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