EDIÇÃO Nº 1656
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Evento


Divulgação
Stockhausen: vanguarda erudita e avô do tecno

Carlton Arts (Moinho Eventos, São Paulo, de 25 a 1º) – Durante sete dias a modernidade sacudirá São Paulo com uma grande maratona multicultural. Entre as atrações mais esperadas está o alemão Karlheinz Stockhausen, considerado o maior compositor erudito contemporâneo e avô da música eletrônica. No programa A ele apresentará Oktophonie e Kontakte; e no B Hymnem I + II e III + IV. Representando o cinema, o diretor canadense David Cronenberg, autor de filmes como A mosca, Scanners – sua mente pode destruir, Crash – estranhos prazeres e o inédito eXistenZ, será homenageado através de várias mostras de cinema, vídeo e objetos de cena intitulada O homem e a máquina. Nas artes cênicas, Robert Lepage – célebre encenador canadense e líder da companhia Ex Machina – comandará quatro sessões de The far side of the moon, com música de Laurie Anderson. Para quem ainda tiver fôlego, são também recomendados os desfiles contínuos da badalada grife Imitation of Christ e a instalação interativa Exquisite corpse, com imagens de mais de 40 artistas e fotógrafos. (L.C.)
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Cinema


 Assista ao trailer do filme A hora do show
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Davidson e Glover: negro em negro

A hora do show (em cartaz no Rio de Janeiro e São Paulo na sexta-feira 29) – Bamboozled, título original deste novo filme de Spike Lee, foi tirado de um discurso do líder negro Malcon X. Significa algo como “macaquear”, expressão obviamente pejorativa. Mas na fita ela faz sentido ao se saber a história de Pierre Delacroix – interpretação excelente de Damon Wayans –, um pedante produtor de televisão que, desiludido com a direção da emissora, cria um programa super-racista só para ser despedido. No entanto, para sua surpresa a atração faz o maior sucesso e Delacroix se transforma num maníaco patético. Apresentado por dois dançarinos negros, Mantan (Savion Glover) e Womack (Tommy Davidson), que inclusive pintam propositadamente o rosto de preto, o show instiga o ódio do rapper Julius (Mos Def). São estes toques tragicômicos, além de instantes de violência explícita, que fazem de A hora do show um filme no mínimo assustador, tanto para brancos quanto para negros. (L.C.)
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Brother, a máfia japonesa Yakuza em Los Angeles (em cartaz no Rio de Janeiro e São Paulo na sexta-feira 29) – Quando ambientados no Japão, os filmes de Takeshi Kitano já eram estranhos sob a ótica ocidental em razão do tom zen-existencialista e da ética samurai. Imagine agora em que a ação foi transferida para a frieza arquitetônica de Los Angeles. Cheia de tempos mortos, a história acompanha a trajetória do ultra-cool Yamamoto (Takeshi Kitano), um membro da Yakuza que foge para os Estados Unidos. Brother não é um filme agitado, na linha hollywoodiana de policiais. Em compensação, entre haraquiris e sanguinários acertos de contas – filmados sem nenhum apelo à violência –, o diretor-ator mais uma vez enfrenta o vazio da vida com o calor da amizade. (I.C.)
Vale a pena

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Concerto



Ute Lemper, de Kurt Weill a Nick Cave (Teatro Cultura Artística, São Paulo, de 25 a 27) – Qualquer semelhança entre a bela figura esguia e loira da alemã Ute Lemper com a atriz e cantora Marlene Dietrich não é mera coincidência. Ute é uma intérprete que tem revigorado a música de cabaré, gênero que sua conterrânea defendeu com pompa e circunstância. Cantora, atriz e bailarina, a diva de 37 anos trafega com igual brilho pelo universo erudito e popular. Misturando canções da dupla Bertolt Brecht/Kurt Weill com composições de Nick Cave, Elvis Costello e Tom Waits, entre outros, ela produziu um repertório eclético, sofisticado e doloroso. (I.C.)
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