| ARTES
& ESPETÁCULOS |
20/06/2001 |
Livros
I
Voz
chique
A
vida, a carreira e o charme de Mario Reis
Luiz
Chagas
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Fino, culto, charmoso e com uma voz macia, sem exageros, que o
diferenciava completamente de seus contemporâneos, o carioca
Mario Reis muitas vezes competiu com os maiores nomes do rádio
na virada dos anos 30. Alçado ao estrelato defendendo músicas
assinadas, em sua maioria por Sinhô, Mario da Silveira Meirelles
Reis, rapidamente se tornou um bon vivant, flanando pelo Rio de
Janeiro a bordo de um carro Buick prata, logo trocado por um Plymouth
da cor do céu. Apesar da fama, em 1936 o astro praticamente
abandonou a carreira, reservando sua voz para raríssimas
apresentações. Cantou pela última vez no Golden
Room do Copacabana Palace, em 1971, hotel onde morou desde 1957
até sua morte, em outubro de 1981. Mario Reis cultivou uma
vida cercada de mistério, pavimentada por lacunas, o que
obrigou o jornalista Luís Antônio Giron a trabalhar
como um verdadeiro Sherlock Holmes atrás de pistas para escrever
Mario Reis o fino do samba (editora 34, 320 págs.,
R$ 29). Ao final, a biografia revela-se um alentado estudo sobre
o nascimento da moderna indústria fonográfica. Pois,
coincidentemente, Mario estreou no disco em 1927, ano em que no
Brasil foram realizadas as primeiras gravações eletrônicas,
em substituição às mecânicas.
Até então, ele nunca havia se apresentado em público.
Sua estréia artística, portanto, foi com o 78 rotações
Que vale a nota sem o carinho da mulher e Carinhos de
vovô, ambas de J. B. da Silva, o Sinhô, que o acompanhou
no violão ao lado de Donga. Com dados minuciosos, reconstituição
de cenas às vezes sob pontos de vista completamente
díspares , Giron desfaz mitos como o que qualifica
Mario Reis um cantor de voz pequena. Também torna a leitura
saborosa ao descrever o suposto romance com Carmen Miranda, as idas
ao morro do Estácio com Chico Alves para comprar sambas e
os detalhes de uma vida agitada daquele que é considerado
o primeiro cantor moderno. 
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