| ARTES
& ESPETÁCULOS |
13/06/2001 |
Livros
II
Naquela
mesa
Jaguar
faz roteiro do comer e beber bem
Luiz
Chagas
Uma das lendas que cercam o jornal O Pasquim, célebre
nos anos 70 a lenda e o jornal , dá conta que
o humorista Jaguar teria cometido a proeza de levar o austero Paulo
Francis para almoçar num boteco de subúrbio onde era
servida uma comida divina. O intelectual foi recebido
pelo proprietário com um festivo, boa tarde, meu irmão,
o que vamos querer? Irascível, Francis desferiu-lhe:
Não somos parentes, não o conheço e não
vamos querer nada juntos. Eu vou comer e o senhor irá me
servir. Contador de histórias como esta, Jaguar achou
que seria de utilidade pública trazer à tona outras
passagens envolvendo cerca de 50 locais onde se pode comer e, principalmente,
beber divinamente e escreveu Confesso que bebi memórias
de um amnésico alcoólico (Record, 160 págs.,
R$ 20). Excetuando três ou quatro lugares paulistanos, sua
lista concentra-se na sua cidade, o Rio de Janeiro.
O autor tratou de percorrer os estabelecimentos que se lembrava,
lhe foram recomendados ou ouviu falar. Com a mesma disposição
de quem vira copos e copos de chope, relembra casos de companheiros
de balcão e mesa enquanto fala de pés-sujos
de Bangladesh apelido das ruas à volta da estação
da Central do Brasil, no Rio e charmosos refúgios
etílico-gastronômicos na região serrana de Petrópolis.
No capítulo final, Jaguar anuncia que quando morrer quer
ser cremado e ter suas cinzas espalhadas pelos bares onde bebeu.
E, sem trégua, registra o comentário de um amigo:
Vai faltar cinza....
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