| MEDICINA
& BEM ESTAR |
06/06/2001 |
Ao
natural - continuação
Juliane
Zaché
| ARTEMÍSIA |
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| Malária:
Unicamp comprova o efeito terapêutico do vegetal em casos graves
da doença |
Os fitoterápicos são remédios sérios.
Tanto é que a farmacologia (ramo da medicina que estuda medicamentos)
surgiu a partir de pesquisas de substâncias extraídas
de ervas. Atualmente, pelo menos 25% dos medicamentos alopáticos
derivam de plantas a aspirina, por exemplo, originalmente
foi extraída da planta Salix alba (daí o nome
de seu princípio: ácido salicílico). Uma das
vantagens dos remédios naturais é o preço,
em geral mais barato do que os dos medicamentos convencionais. É
verdade que existem alguns fitoterápicos que pesam mais no
bolso. De acordo com o farmacêutico Marques, esses remédios
necessitam de várias etapas para serem produzidos, o que
pode encarecê-los. De uma forma ou de outra, as pessoas passaram
a recorrer mais às soluções vindas dos vegetais.
Houve uma inversão de valores. A população
está buscando alternativas mais naturais, pois perceberam
que a tecnologia não soluciona todos os problemas,
avalia o médico carioca Alexandros Botsaris, especialista
em fitoterapia. É o caso da consultora de marketing Roseclair
Fujita, 40 anos, de São Paulo. Desde a adolescência,
ela usa fitoterápicos. Qualquer problema que tenho,
lanço mão deles, conta. O hábito se estendeu
à família. Seus filhos, Jade, 19 anos, e Ubiatan,
17, também são adeptos da linha natureba. Ainda mais
quando o tratamento veio da flora brasileira. É preciso
valorizar o que é nosso, diz Roseclair.
| ERVA
BALEEIRA |
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Antiinflamatório
Pesquisadores aprimoram estudos da espécie
para desenvolver remédios |
Hormônios Entre os consumidores de fitoterápicos
estão muitas mulheres. Principalmente as que entram na menopausa.
Nesse período, é comum elas receberem reposição
hormonal (com drogas químicas) para evitar sintomas como
ondas de calor. Uma alternativa para essas pacientes é o
uso de fito-hormônios, como o Clifemin (à base da planta
canadense Cimicifuga racemosa), do Laboratório Herbarium,
de Curitiba. Os fito-hormônios têm substâncias
encontradas nas plantas que possuem a estrutura química ou
atividade semelhante ao dos hormônios produzidos pelo organismo,
como a progesterona. Só que a ação deles é
mais leve do que a reposição hormonal tradicional.
Dessa forma, os efeitos colaterais são menores,
assegura Carina do Amaral Gurgel, farmacêutica da Naturativa,
farmácia de manipulação, no Rio. Os fito-hormônios
são muito indicados para mulheres com casos de câncer
na família. Isso porque há relação entre
a reposição química de progesterona (cujo nível
se altera durante a menopausa) e o surgimento de tumores. Por estar
dentro desse grupo de risco, Rogélia Pereira Ferreira, 47
anos, adotou o fito-hormônio. Ela usa o fitoterápico
chinês Dong Quai (feito com a raiz da Angelica sinensis),
um dos lançamentos da farmácia Naturativa, do Rio.
Tinha ondas de calor, que diminuíram bastante,
conta. A planta é rica em fitoestrógenos, compostos
que substituem a carência de hormônios do organismo,
explica Carina.
Sensibilidade Há também opções
para quem sofre de TPM, distúrbio provocado por alterações
hormonais e caracterizado por sintomas como irritabilidade e cansaço.
No mercado fitoterápico, uma alternativa está fazendo
sucesso: as cápsulas de óleo de prímula. A
advogada Regina Teixeira, 31 anos, está contente com o uso
da planta. Sentia muitas dores musculares. Nem analgésicos
adiantavam. Os sintomas diminuíram com as cápsulas,
diz. O princípio ativo que comanda sua ação
contra a TPM é o ácido gama linolênico, extraído
de sementes de prímula. O linolênico regula a
liberação de prostaglandina, substância que
atua nas reações inflamatórias e ajuda a diminuir
a dor. Quando seu nível cresce durante a TPM, a sensibilidade
também aumenta, explica o ginecologista Eliezer Berenstein,
autor do livro Inteligência hormonal da mulher (Editora
Objetiva). Mas ele adverte que, no caso de sintomas como compulsão
alimentar e retenção de liquidos, a prímula
não mostra bons resultados.
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