| MEDICINA
& BEM ESTAR |
06/06/2001 |
Ao
natural - continuação
Juliane
Zaché
Quem também aposta na fitoterapia é a Ativos Farmacêutica,
de Campinas (SP). Ela patenteou a pesquisa da planta artemísia
(Artemisia annua) para avaliar a ação contra
casos graves de malária infecção causada
pelo parasita Plasmodium , resistentes à terapia
convencional. O estudo, que teve resultados positivos, foi conduzido
pela divisão de farmacologia e toxicologia da Universidade
de Campinas (Unicamp). Substâncias existentes na planta
combatem a malária, garante o farmacologista João
Ernesto de Carvalho, um dos responsáveis pela pesquisa. Estamos
esperando a abertura de uma licitação, pois vamos
tentar vender a droga para o governo, já que a malária
é um problema de saúde pública, diz Alexandre
Frederico, diretor médico da Ativos. A Unicamp também
está estudando a ação terapêutica de
30 plantas do Estado de São Paulo. Desse número, seis
já mostraram benefícios contra células tumorais
in vitro.
| Carlos
Magno |
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Rogélia faz tratamento com Dong Quai para diminuir as ondas
de calor, um dos sintomas da menopausa |
No sertão nordestino também se encontra um dos alvos
da fitoterapia. A planta aroeira-do-sertão (Myracrodum
uru de uva) está na mira da Universidade Federal do Ceará.
Ela se mostrou eficaz no tratamento de feridas nos genitais e na
virilha. Os testes foram feitos apenas em ratos, observa
o farmacologista Francisco Matos, orientador da tese de mestrado
baseada nessa experiência. A aroeira tem várias
substâncias que tratam a mucosa vaginal, esclarece.
Os benefícios da planta já eram conhecidos pelas sertanejas.
Elas cozinham a casca de aroeira, despejam o líquido em uma
bacia e fazem o famoso banho de assento.
Gripe O amplo uso popular das ervas medicinais foi
um dos fatores que levaram o cantor Luiz Melodia, 50 anos, a adquirir
o hábito de recorrer às soluções naturais.
Desde criança, minha mãe preparava meu banho
com erva-de-santa-maria para curar inflamações da
pele, recorda-se. Hoje, sempre que pode ele consome fitoterápicos,
principalmente para enfrentar gripes e resfriados. Para casos em
que uma simples gripe se agrava e se transforma em tuberculose,
pesquisadores da Universidade Estadual do Estado de São Paulo,
em Araraquara, descobriram uma alternativa natural. O trabalho,
coordenado pela microbiologista Clarice Fujimura, mostrou que, em
laboratório, o óleo essencial de eucalipto, do tipo
Eucaliptus citriodora, teve ação tóxica
contra a bactéria responsável pela doença.
No momento, os especialistas tentam, por meio de técnicas
complexas, aumentar a potência terapêutica do eucalipto.
As investidas não param por aí. A Fundação
Oswaldo Cruz, do Rio, está criando um megahorto na zona oeste
da cidade para a cultura de plantas medicinais. Cerca de 100 espécies
serão cultivadas. Delas, 34 já vêm sendo estudadas
para a produção de remédios. O Laboratório
de Produtos Naturais, que pertence à instituição,
investiga as propriedades farmacológicas de plantas normalmente
consumidas pela população. Uma delas é a erva-cidreira
brasileira. Até agora se conhece o efeito da européia,
usada como calmante, diz o farmacêutico José
Luiz Ferreira, um dos integrantes do projeto.
| André
Sarmento |
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Casasus faz caminhadas e usa cápsulas de folhas de uva para
evitar inchaço nas pernas |
Mas o entusiasmo pelo poder verde não significa que as drogas
químicas serão substituídas pelas fitoterápicas.
Dependendo do caso, se for necessário um resultado
mais rápido, o ideal é indicar os sintéticos,
que são mais potentes, observa José Augusto
Zuard, ginecologista do Rio que receita há três anos
fitoterápicos para suas pacientes. Eles são
menos agressivos do que os medicamentos químicos, pois sua
ação é mais lenta. Mas não dá
para achar que, só porque é natural, a planta seja
inofensiva, ressalta. Certos remédios feitos com o
princípio ativo de plantas só devem ser vendidos com
prescrição médica. Os comercializados sem receita
também exigem atenção. Para adquirir os remédios
naturais com segurança é necessário seguir
algumas regras, como o nome do farmacêutico responsável.
Os fitoterápicos podem causar prejuízos ao organismo
se não forem tomados com precaução. O ginko
biloba, por exemplo, promete melhorar a memória, mas, se
for consumido em excesso, pode causar fortes dores de cabeça.
Outra dica é evitar comprar a planta in natura, já
que a olho nu não dá para ver se ela está contaminada,
avisa Luís Carlos Marques, farmacêutico da Universidade
Estadual do Maringá (PR).
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