| ARTES
& ESPETÁCULOS |
06/06/2001 |
Personagem
Direita,
volver!
Ravel,
da dupla ufanista Dom & Ravel, conta que, na verdade, foi vítima do
regime militar
Luiz
Chagas
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alan
rodrigues
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Eu
te amo meu Brasil quase se transformou num novo hino nacional
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Quando se folheia qualquer enciclopédia de MPB não
se encontra a dupla Dom & Ravel. Mas o mesmo não ocorre
quando se pesquisa na internet, onde os dois figuram em centenas
de sites nos quais são invariavelmente tachados de vendidos,
verdadeiros traidores de direita. Tal fama veio do sucesso de músicas
como Eu te amo meu Brasil, Você também é responsável
e Obrigado, homem do campo, usadas na virada dos anos 70, em pleno
auge da ditadura, pelos governos militares. Eu te amo meu Brasil
foi cogitada para se tornar o novo hino nacional. Quem lembra a
temeridade é o próprio Eduardo Gomes de Farias, o
Ravel apelido ganho de um professor de música por
causa da sua aptidão para a arte , hoje com 54 anos
e a visão prejudicada por um acidente. Ainda abalado pela
morte de Dom, nome artístico de seu irmão Eustáquio
vítima de um câncer no estômago, em dezembro
passado , o músico mostra recortes de revistas em que
o então governador de São Paulo, Roberto de Abreu
Sodré, sugere ao ex-presidente da República, Emílio
Garrastazu Médici, que a citada canção fosse
transformada em hino nacional. Médici nada respondeu. Mas
a notícia pipocou na imprensa e os artistas começaram
a ser apontados como arautos da ditadura.
Ravel afirma que a música foi composta só para aproveitar
a onda do tricampeonato da seleção de futebol. Mas
nossos sobrenomes Gomes de Farias ajudaram a aumentar a confusão,
conta Ravel, lembrando a associação que as pessoas
faziam com o brigadeiro Eduardo Gomes e o general Cordeiro de Farias.
Também falavam que os dois eram filhos de militares. Na verdade,
o pai deles era um pequeno comerciante paraibano e a mãe,
uma dona-de-casa cearense, que chegaram a São Paulo nos anos
50 carregando a dupla de irmãos e a caçula Eva. Nascidos
em Itaiçaba, Ceará, eles cresceram na periferia paulistana.
Já como Dom & Ravel, em 1969 lançaram o primeiro
LP, Terra boa, trazendo Você também é responsável,
transformada pelo ex-ministro da Educação, Jarbas
Passarinho, em hino do Mobral, o Movimento Brasileiro de Alfabetização.
Dois anos depois, o que prova que ela não foi feita
sob encomenda, frisa Ravel.
É evidente, contudo, que pelo caráter ufanista das
canções o regime passou a se servir do sucesso da
dupla. Éramos visitados por militares armados, que
nos davam passagens aéreas e as indicações
dos locais onde devíamos nos apresentar. Não havia
cachê, nem a remota possibilidade de dizer não,
determina Ravel. A roda-viva persistiu até 1973, quando Dom
& Ravel gravaram Animais irracionais, falando de injustiça
social. A direita não gostou e os dois viveram o outro lado
da moeda. O disco e a música foram banidos das rádios.
Ficamos desacreditados, tivemos nossas casas invadidas, fomos
agredidos, currados, rememora Ravel. Atualmente, ele mora
no bairro da Cantareira, em São Paulo, com a mulher Rejane,
50 anos, e a filha Priscilla, 26, numa casa pertencente a irmã
Eva. Acaba de lançar o CD Deus é o juiz, em homenagem
ao irmão, com sucessos da dupla. Eu te amo meu Brasil não
entrou na seleção. 
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