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 POLÍTICA 30/05/2001
CAPA

Ajuste de contas - continuação

Andrei Meireles e Mino Pedrosa

André Dusek
Saturnino (à esq.) e Arruda: relatório foi a gota d’água

Depois de ir à casa de Bornhausen, onde estava também o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, ACM foi se encontrar com o vice-presidente da República, Marco Maciel, na residência do deputado Heráclito Fortes (PFL-PI). Informou Maciel da renúncia e avisou que vai aproveitar o discurso de quarta-feira para atacar Fernando Henrique. Recebeu apelos do vice-presidente e de Bornhausen para conter sua artilharia. Na maior cara-de-pau, anunciou ainda que vai percorrer o País pregando a ética e a moralidade pública. “Ele precisa tomar cuidado, porque senão será recebido com ovos pela população revoltada com seu comportamento no Senado”, alerta o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT). Há três meses, o cacique baiano vestiu a pele de cordeiro na expectativa de não ser punido no Senado. Durante esse tempo, deixou de atacar o governo e Jader Barbalho. Promete agora voltar a ser o lobo de sempre: “Meu maior sofrimento nesse período foi ter ficado calado.” Ele chegou a ser aconselhado por correligionários a disparar a metralhadora giratória no comício que fará em Salvador na próxima quinta-feira. O problema é que já estará sem mandato – e imunidade – e corre o risco de ser processado por quem for alvo de seus petardos. Horas antes de viajar para a Bahia, pretende assistir à posse no Senado do suplente Antônio Carlos Magalhães Júnior – o herdeiro sem gosto e talento políticos que sobravam no falecido irmão Luís Eduardo Magalhães.

Ricardo Stuckert
ACM segue o caminho de Arruda: renúncia depois de repetir que ia enfrentar o processo

Levante baiano – ACM volta a uma Bahia diferente, com manifestantes nas ruas e uma oposição fortalecida que pretende barrar seus planos de continuar mandando no Estado. Tem concorrente até dentro do PFL, se insistir em disputar mais uma vez o governo da Bahia. O senador Paulo Souto vem dizendo a amigos que a vez é sua e não abre mão de tentar voltar ao Palácio de Ondina. A grande arma de Antônio Carlos – usar todo o aparelho de Estado para ameaçar e acuar adversários – perdeu a eficácia. Depois de apanhar da Polícia Militar, o movimento estudantil cresceu muito na Bahia e rompeu a barreira que o impedia de protestar em frente à casa de Antônio Carlos. Animada pela reação dos baianos que ganharam as ruas, as oposições prometem continuar a guerra contra o coronel baiano até apeá-lo do poder no Estado. “Chegou a hora de enterrar o coronelismo e acabar com a ditadura na Bahia”, diz a deputada estadual Alice Portugal (PCdoB). Além da possibilidade de ser derrotado nas urnas, a intenção de ACM de disputar eleições também corre risco.

Ichiro Guerra/AJB
Estudantes voltam a protestar em frente ao Congresso: pela CPI da Corrupção e o fim da impunidade

Cassação – Parlamentares como o deputado Waldir Pires (PT-BA) pretendem recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a interpretação da Mesa do Senado de que os direitos políticos de Antônio Carlos e Arruda ficam preservados com a renúncia. Eles vão se basear no Decreto Legislativo 16, que regulamenta o artigo 55 da Constituição e diz que a renúncia de parlamentar sob “a investigação por qualquer órgão do Poder Legislativo” ficará suspensa até a conclusão do processo de cassação de mandato. A renúncia só teria eficácia para efeito de preservação de direitos políticos se no final do processo o parlamentar fosse absolvido. ACM e Arruda foram investigados pelo Conselho de Ética, que comprovou que os dois participaram da fraude no painel eletrônico. A renúncia da dupla, portanto, pode ter sido inócua e eles acabarem tornando-se inelegíveis por oito anos.

Leia mais nas próximas páginas:

A derrocada de ACM começou...
... e o envolvimento de Arruda...

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