CAPA
Ajuste de contas - continuação
Andrei
Meireles e Mino Pedrosa
| André
Dusek |
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| Saturnino
(à esq.) e Arruda: relatório foi a gota d’água |
Depois de ir à casa de Bornhausen, onde estava também
o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, ACM foi se encontrar
com o vice-presidente da República, Marco Maciel, na residência
do deputado Heráclito Fortes (PFL-PI). Informou Maciel da
renúncia e avisou que vai aproveitar o discurso de quarta-feira
para atacar Fernando Henrique. Recebeu apelos do vice-presidente
e de Bornhausen para conter sua artilharia. Na maior cara-de-pau,
anunciou ainda que vai percorrer o País pregando a ética
e a moralidade pública. Ele precisa tomar cuidado,
porque senão será recebido com ovos pela população
revoltada com seu comportamento no Senado, alerta o senador
Antero Paes de Barros (PSDB-MT). Há três meses, o cacique
baiano vestiu a pele de cordeiro na expectativa de não ser
punido no Senado. Durante esse tempo, deixou de atacar o governo
e Jader Barbalho. Promete agora voltar a ser o lobo de sempre: Meu
maior sofrimento nesse período foi ter ficado calado.
Ele chegou a ser aconselhado por correligionários a disparar
a metralhadora giratória no comício que fará
em Salvador na próxima quinta-feira. O problema é
que já estará sem mandato e imunidade
e corre o risco de ser processado por quem for alvo de seus petardos.
Horas antes de viajar para a Bahia, pretende assistir à posse
no Senado do suplente Antônio Carlos Magalhães Júnior
o herdeiro sem gosto e talento políticos que sobravam
no falecido irmão Luís Eduardo Magalhães.
| Ricardo
Stuckert |
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ACM segue o caminho de Arruda: renúncia depois de repetir que
ia enfrentar o processo |
Levante baiano ACM volta a uma Bahia diferente, com
manifestantes nas ruas e uma oposição fortalecida
que pretende barrar seus planos de continuar mandando no Estado.
Tem concorrente até dentro do PFL, se insistir em disputar
mais uma vez o governo da Bahia. O senador Paulo Souto vem dizendo
a amigos que a vez é sua e não abre mão de
tentar voltar ao Palácio de Ondina. A grande arma de Antônio
Carlos usar todo o aparelho de Estado para ameaçar
e acuar adversários perdeu a eficácia. Depois
de apanhar da Polícia Militar, o movimento estudantil cresceu
muito na Bahia e rompeu a barreira que o impedia de protestar em
frente à casa de Antônio Carlos. Animada pela reação
dos baianos que ganharam as ruas, as oposições prometem
continuar a guerra contra o coronel baiano até apeá-lo
do poder no Estado. Chegou a hora de enterrar o coronelismo
e acabar com a ditadura na Bahia, diz a deputada estadual
Alice Portugal (PCdoB). Além da possibilidade de ser derrotado
nas urnas, a intenção de ACM de disputar eleições
também corre risco.
| Ichiro
Guerra/AJB |
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Estudantes voltam a protestar em frente ao Congresso: pela CPI
da Corrupção e o fim da impunidade |
Cassação Parlamentares como o deputado
Waldir Pires (PT-BA) pretendem recorrer ao Supremo Tribunal Federal
contra a interpretação da Mesa do Senado de que os
direitos políticos de Antônio Carlos e Arruda ficam
preservados com a renúncia. Eles vão se basear no
Decreto Legislativo 16, que regulamenta o artigo 55 da Constituição
e diz que a renúncia de parlamentar sob a investigação
por qualquer órgão do Poder Legislativo ficará
suspensa até a conclusão do processo de cassação
de mandato. A renúncia só teria eficácia para
efeito de preservação de direitos políticos
se no final do processo o parlamentar fosse absolvido. ACM e Arruda
foram investigados pelo Conselho de Ética, que comprovou
que os dois participaram da fraude no painel eletrônico. A
renúncia da dupla, portanto, pode ter sido inócua
e eles acabarem tornando-se inelegíveis por oito anos. 
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