Ajuste de contas - continuação
Andrei
Meireles e Mino Pedrosa
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Ricardo Stuckert |
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| Para
não ser cassado, Antônio Carlos Magalhães decide renunciar,
mas vai ter de enfrentar, pela primeira vez, uma oposição nas
ruas da Bahia |
Com firmeza, o senador Ramez Tebet (PSDB-MS), presidente do Conselho,
rejeitou todas as manobras dos carlistas. Pau mandado de ACM, o
senador Waldeck Ornélas (PFL-BA) perdeu a compostura e, com
voz estridente, atacou Ramez, a quem chamou de autoritário.
Só a minha consciência é dona das minhas
decisões. Quero dizer ao senhor que eu não tenho dono,
devolveu Ramez, calando Waldeck, que não pôde dizer
o mesmo. O discreto senador Paulo Souto (PFL-BA) também quis
mostrar serviço ao chefe e interrompeu o relator Saturnino
Braga, que o corrigia por ter dito que os procuradores da República
Guilherme Schelb e Eliana Torelly haviam desmentido a reportagem
de ISTOÉ que revelou a conversa de ACM no Ministério
Público. Na reunião secreta, não foi
isso que eles falaram..., dizia Saturnino quando Souto o acusou
de estar divulgando um depoimento sigiloso. Se quiser, me
processe, mas o senhor também ouviu. Não ouviu?,
cobrou o relator. Constrangido, Souto confirmou.
Além de perderem de goleada nos debates no Conselho, os
carlistas também levaram uma surra nas votações.
Dos 16 membros do Conselho, só Waldeck e Souto votaram contra
o relatório de Saturnino. Atendendo a contragosto à
orientação da direção do PFL, numa segunda
votação os senadores Francelino Pereira (MG), Romeu
Tuma (SP) e Geraldo Althoff (SC) disseram sim à proposta
de abrandamento da pena para a dupla de fraudadores. A derrota acachapante
no Conselho acabou de vez com a estratégia de ACM de fingir
ainda ter força e repetir que iria até o fim do processo.
A batalha está perdida. Não é mais possível
virar o jogo, reconheceu Antônio Carlos no começo
da noite da quarta-feira, quando informou ao presidente do partido,
senador Jorge Bornhausen (SC), que renunciará na quarta-feira
30. Logo depois, Bornhausen recebeu telefonema de Arruda comunicando
que jogaria a toalha na manhã seguinte. Arruda também
ligou para Jader e marcou café da manhã para mostrar
o discurso de renúncia e acertar detalhes da sessão,
em que levou uma claque. Jader nada informou aos líderes
do PMDB, Renan Calheiros, e do PSDB, Sérgio Machado (CE),
integrantes da chamada turma da paçoca. Trata-se
do grupo que se reuniu várias vezes para impedir que manobras
de ACM esvaziassem o trabalho do Conselho e ficou conhecido depois
de virar a madrugada em torno de uma tigela de paçoca de
farinha com carne-seca, na véspera da apresentação
do relatório de Saturnino.
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