EDIÇÃO Nº 1652
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 POLÍTICA 30/05/2001
CAPA continua...

Ajuste de contas - continuação

Andrei Meireles e Mino Pedrosa

Ricardo Stuckert
Para não ser cassado, Antônio Carlos Magalhães decide renunciar, mas vai ter de enfrentar, pela primeira vez, uma oposição nas ruas da Bahia

Com firmeza, o senador Ramez Tebet (PSDB-MS), presidente do Conselho, rejeitou todas as manobras dos carlistas. Pau mandado de ACM, o senador Waldeck Ornélas (PFL-BA) perdeu a compostura e, com voz estridente, atacou Ramez, a quem chamou de autoritário. “Só a minha consciência é dona das minhas decisões. Quero dizer ao senhor que eu não tenho dono”, devolveu Ramez, calando Waldeck, que não pôde dizer o mesmo. O discreto senador Paulo Souto (PFL-BA) também quis mostrar serviço ao chefe e interrompeu o relator Saturnino Braga, que o corrigia por ter dito que os procuradores da República Guilherme Schelb e Eliana Torelly haviam desmentido a reportagem de ISTOÉ que revelou a conversa de ACM no Ministério Público. “Na reunião secreta, não foi isso que eles falaram...”, dizia Saturnino quando Souto o acusou de estar divulgando um depoimento sigiloso. “Se quiser, me processe, mas o senhor também ouviu. Não ouviu?”, cobrou o relator. Constrangido, Souto confirmou.

Além de perderem de goleada nos debates no Conselho, os carlistas também levaram uma surra nas votações. Dos 16 membros do Conselho, só Waldeck e Souto votaram contra o relatório de Saturnino. Atendendo a contragosto à orientação da direção do PFL, numa segunda votação os senadores Francelino Pereira (MG), Romeu Tuma (SP) e Geraldo Althoff (SC) disseram sim à proposta de abrandamento da pena para a dupla de fraudadores. A derrota acachapante no Conselho acabou de vez com a estratégia de ACM de fingir ainda ter força e repetir que iria até o fim do processo. “A batalha está perdida. Não é mais possível virar o jogo”, reconheceu Antônio Carlos no começo da noite da quarta-feira, quando informou ao presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), que renunciará na quarta-feira 30. Logo depois, Bornhausen recebeu telefonema de Arruda comunicando que jogaria a toalha na manhã seguinte. Arruda também ligou para Jader e marcou café da manhã para mostrar o discurso de renúncia e acertar detalhes da sessão, em que levou uma claque. Jader nada informou aos líderes do PMDB, Renan Calheiros, e do PSDB, Sérgio Machado (CE), integrantes da chamada “turma da paçoca”. Trata-se do grupo que se reuniu várias vezes para impedir que manobras de ACM esvaziassem o trabalho do Conselho e ficou conhecido depois de virar a madrugada em torno de uma tigela de paçoca de farinha com carne-seca, na véspera da apresentação do relatório de Saturnino.

Leia mais nas próximas páginas:

ACM planeja atacar FHC
Herdeiro sem gosto e talento
Guerra contra coronel vai continuar
A derrocada de ACM começou...
... e o envolvimento de Arruda...

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