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 POLÍTICA 30/05/2001
CAPA continua...

Ajuste de contas
A saída de cena de ACM enterra um estilo de fazer política que já não serve mais para o Brasil. Depois de 50 anos de poder, o brilho do coronel se apaga


Leia também: A guerra dos atabaques

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Andrei Meireles e Mino Pedrosa

Ricardo Stuckert
Oposição toma Salvador em mais um protesto contra ACM: multidões cada vez maiores pelo fim do carlismo

Antônio Carlos Peixoto Magalhães, 73 anos, é o último dos grandes coronéis brasileiros, figuras políticas que herdaram poderes e o autoritarismo das velhas capitanias hereditárias implantadas no Brasil pelos portugueses no século XVI. Em seus quase 50 anos de política, o cacique ACM acumulou fortuna e poder, primeiro servindo fielmente à ditadura militar e, em tempos democráticos, prestando favores e subjugando governantes fracos. Fez assim nas administrações dos presidentes José Sarney e Fernando Collor e, durante os seis últimos anos, mandou e desmandou no governo Fernando Henrique Cardoso. Como ministro das Comunicações de Sarney, promoveu um festival de concessões de emissoras de rádio e televisão, consolidando sua força política em todo o País e uma relação toda especial com a grande mídia nacional. Há três meses cometeu um erro fatal: confessou a três procuradores da República que tinha a lista com os nomes de todos os senadores que votaram a favor e contra a cassação de Luiz Estevão. A revelação da conversa por ISTOÉ provocou a abertura de um inquérito no Conselho de Ética do Senado para apurar a violação do painel eletrônico. Depois de promover investigações que comprovaram o crime, o Conselho aprovou na quarta-feira 23, por 13 votos a dois, o pedido de cassação de ACM e de seu parceiro na empreitada, José Roberto Arruda. Para escapar da perda dos direitos políticos por oito anos, Arruda fez um discurso simplório para comunicar a renúncia ao mandato na manhã da quinta-feira 24. O último dos coronéis, no entanto, promete barulho no pronunciamento marcado para a quarta-feira 30: vai tentar disfarçar a saída pela porta dos fundos do Senado com ataques que terão como principal alvo o presidente Fernando Henrique. Mais do que a renúncia de um parlamentar para fugir da punição pela quebra do decoro parlamentar, a queda de Antônio Carlos simboliza o fim de uma era em que, certas da impunidade, autoridades todo-poderosas julgam que as leis só valem para os outros. Uma era em que oligarcas regionais conseguiram transformar o governo federal numa extensão de seus quintais.

Ricardo Stuckert

Caras-pintadas – O quintal do Congresso Nacional foi tomado na quarta-feira por estudantes secundaristas e universitários que pintaram o rosto de verde e amarelo para cobrar a cassação de Antônio Carlos e Arruda. No mesmo dia, milhares de jovens fizeram uma passeata nas ruas de Salvador, em que um manifestante enjaulado que usava máscara de ACM fez sucesso. Protestos também aconteceram no Rio e em São Paulo. A exemplo do processo de impeachment de Fernando Collor, mais uma vez as ruas desempenharam papel decisivo no desfecho do caso do painel no Senado. Por medo delas fracassaram as várias tentativas para que tudo acabasse em pizza. Uma canetada do presidente do Congresso, Jader Barbalho (PMDB-PA), estabeleceu na terça-feira 22 um prazo de até 15 dias para uma decisão da Mesa do Senado sobre o relatório do Conselho de Ética. Além de surpreender a cúpula do próprio PMDB, a medida reanimou ACM e Arruda, que planejavam renunciar antes da reunião do Conselho e acreditaram que o “acordão” pudesse estar sendo ressuscitado. Outra razão para isso foi a garantia que o cacique baiano recebeu de que pelo menos os senadores peemedebistas Amir Lando (RO) e Ney Suassuna (PB) votariam contra o pedido de cassação. Apesar do receio de que um voto desses, transmitido ao vivo pela TV Senado, causaria prejuízos eleitorais, a dupla de senadores estava disposta a correr o risco. Só desistiram duas horas antes da reunião, atendendo a pedidos de dirigentes do partido. “Contava com esses dois votos, mas não houve traição. Eles não resistiram, a pressão foi muito forte”, lamentou ACM. A reunião do Conselho foi um desastre para Antônio Carlos e Arruda.

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... e o envolvimento de Arruda...

 

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