| MEDICINA
& BEM ESTAR |
30/05/2001 |
Tratamentos
Não
caiu bem?
Especialistas discutem soluções para o refluxo
gástrico, doença cada vez mais comum
Marina
Caruso
| Alan
Rodrigues |
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Quem sofre do mal, caso de Cleusa, pode fazer cirurgia ou tomar
remédios como o Nexium |
Um distúrbio digestivo chama cada vez mais a atenção.
Trata-se do refluxo gastroesofágico, mal que atinge um terço
da população mundial. Ele pode ocorrer naturalmente,
mas fatores como a má alimentação agravam o
problema. Na semana passada, nos Estados Unidos, 15 mil médicos
reuniram-se para discutir a doença na Semana do Distúrbio
Digestivo.
A origem do refluxo gastroesofágico está no mau funcionamento
do esfíncter, válvula que separa o esôfago do
estômago e impede que o alimento ingerido retorne. Se ele
não funciona direito, o conteúdo gástrico,
inclusive o ácido que digere alimentos, volta para o esôfago.
O principal sintoma da doença é a azia e o problema
pode ser acompanhado de regurgitação. Quem come depressa
facilita a ocorrência do mal, já que o bolo alimentar
desce rapidamente, alargando o esfíncter. O stress também
contribui para o agravamento ao elevar a acidez estomacal.
Os tratamentos são promissores. O ezomeprazol magnesium
(nome comercial Nexium) é uma novidade entre os remédios
e chega ao Brasil em junho. O medicamento inibe a produção
de ácido clorídrico. A volta do conteúdo
ácido provoca sensação de queimação,
explica o médico paulista Schilioma Zaterca. O Nexium apenas
faz com que o refluxo perca a acidez. Essa modificação
ajuda a evitar complicações, explica o médico
Marcus Haddad, do Rio. Quando não há tratamento,
o que começa como um refluxo corrói a parede do esôfago,
alerta. Para que os sintomas da acidez desapareçam é
preciso usar remédios sempre ou apelar para a cirurgia. A
professora Cleusa Bettoni, 49 anos, toma há três anos
outro remédio, mas pensa em recorrer à cirurgia. Preciso
me livrar de vez do problema, desabafa. Para o especialista
Ismael Maguilnik, a decisão de seguir com o medicamento ou
fazer a cirurgia depende muito do paciente. Há quem
sofra por se medicar a vida toda e há quem morra de medo
de operar, diz. Aos últimos, o congresso promete boas
soluções: a cirurgia endoscópica para a reconstrução
do esfíncter com cortes mínimos. A previsão
é de que a técnica esteja disponível no Brasil
em dois anos. 
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