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EDUCAÇÃO
& CIDADANIA
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30/05/2001 |
Sacoleiros
Pagar
para ver
Unig
suspende a romaria do diploma, envia tarefa
de casa e cobra mensalidades
Gilberto Nascimento e Greice Rodrigues
| Carlos
Magno |
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Márcio (à esq.) e César fizeram curso não
reconhecido |
Um mês e meio depois da publicação da reportagem
de ISTOÉ sobre as caravanas dos sacoleiros do ensino
que viajam uma vez por mês de várias regiões
do País para Nova Iguaçu (RJ), onde simulam frequentar
aulas da Universidade Iguaçu (Unig) e obtêm diplomas
de licenciatura , o esquema continua em operação.
Assustados com a repercussão da reportagem, dirigentes da
Unig enviaram aos alunos, através de fax e telefone, pedidos
para que remetam os trabalhos escolares pelo correio, a fim de que
a presença nos cursos seja comprovada. Assim,
a situação ficou mais fácil. Não é
mais necessário comparecer nem uma única vez.
A reportagem teve acesso a uma gravação na qual
um representante da Unig passa orientações sobre os
novos procedimentos para uma aluna, que é professora no Vale
do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Ela se matriculou no curso de
complementação em matemática e não quis
pagar a mensalidade de R$ 205 ao mês com um acréscimo
de R$ 51 de multa, exigidos após o adiamento das duas últimas
viagens, em abril e maio. A Unig cancelou temporariamente as romarias
do diploma, segundo um agenciador identificado como Carlos,
de Belo Horizonte (MG), porque a ISTOÉ ainda estaria
por lá. Os alunos, então, não pagaram
as mensalidades pessoalmente na Unig nem assinaram presença.
E a universidade decidiu cobrar multas.
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UNIVERSIDADE
IGUAÇU
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Não é porque vocês não vieram
aqui que não vão pagar. Podem fazer o pagamento aí
mesmo (na cidade de origem), disse, na gravação,
o funcionário identificado como Marcos, do departamento financeiro
da Unig. Com aula ou sem aula (uma vez ao mês), temos
que pagar a mensalidade?, questionou a professora mineira.
Tem porque a senhora vai estar recebendo presença e
as tarefas em casa, informou Marcos. O agenciador Carlos,
também na gravação, revelou que os organizadores
vão mudar de estratégia. Eles vão dividir
(os dias de viagens) para a faculdade não ficar muito cheia.
Cada turma vai numa data, afirmou. Ele garantiu que o MEC
esteve na Unig mas está tudo certo e vai
ter aula normal em junho. O MEC já suspendeu os cursos
de formação pedagógica e obrigou a universidade
a fazer o recredenciamento de todos os outros. Caso não se
enquadrem nas normas, poderão ser fechados.
Alunos da Unig têm procurado ISTOÉ para denunciar
outras irregularidades. Eles afirmam, por exemplo, que o curso de
medicina estaria recebendo alunos além do número de
vagas previstas no vestibular. Cerca de 150 ex-alunos de fisioterapia
reclamam do não reconhecimento do curso. Não
podemos trabalhar. Eles dizem que o MEC já teria dado a autorização
e só falta a publicação no Diário
Oficial. Mas o MEC diz que é mentira, protesta
César Ferreira, formado em 1999. O funcionário público
Márcio Martins, formado em 2000, também está
indignado. Recebi só um certificado de conclusão
e perdi um trabalho, no qual ganharia seis vezes mais, queixa-se
Márcio. A Unig continua a causar estragos, enquanto o MEC
promete acabar com a fábrica de diplomas. 
Colaborou Juca Rodrigues.
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