| ARTES
& ESPETÁCULOS |
30/05/2001 |
Música
I
Sem
batom
Meninas
do Elastica dão espaço aos homens
Apoenan
Rodrigues
Nos anos 90, elas investiram maciçamente na música,
empunharam todos os instrumentos roqueiros e multiplicaram-se num
universo tipicamente masculino. Entre os grandes destaques do rock
de saias, o grupo britânico Elastica ajudou a formar o oásis
sonoro no meio daquela que ficou registrada como a década
musical mais insípida. Com uma sonoridade ovulada, pesada
sem ser ensurdecedora, a banda lançou em 1995 o inventivo
Elastica, seu álbum de estréia. Agora, cinco
anos depois, em The menace que saiu no Exterior no
final de 2000 , a líder Justine Frischmann, vocalista,
guitarrista e principal letrista, ampliou o campo masculino de atuação.
Além de Justin Welch na bateria, que integra a formação
original, acrescentou os tecladistas Dave Bush e Mew e na guitarra
colocou Paul Jones no lugar de Donna Matthews. A banda completa-se
com Annie Holland no baixo.
Não se pode exatamente dizer que, com a adição
de mais homens, o som do Elastica tenha se masculinizado, embora
o clube do Bolinha esteja em maioria. Mas a testosterona é
evidente na maneira de conduzir as guitarras e fazer as programações
eletrônicas, que antes entravam como adendo e hoje são
ponto fundamental de integração. O melhor exemplo
fica com Love like ours na qual, sobre a intensa massa sonora,
os vocais femininos soam como lobas no cio. Na faixa seguinte, KB,
a sensualidade permanece no intercâmbio eletropercussivo.
Mas Elastica também tem seus momentos retrô. My
sex lembra as experiências de Laurie Anderson nos 80 e
How he wrote Elastica man remete diretamente ao balanço
new wave do final da década de 70, do grupo rei do gênero,
The B-52s. Em geral, o Elastica amaciou. Não se trata
propriamente de um erro. Só que, ao determinar a atitude
de se sintonizar com o som das máquinas, perdeu parte do
ar combativo. 
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