| ARTES
& ESPETÁCULOS |
30/05/2001 |
A
vida em fado
Para
comemorar 60 anos de carreira e 79 de idade, Bibi
Ferreira leva aos palcos a biografia da cantora portuguesa Amália
Rodrigues
Celina
Côrtes
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Carlos
Magno
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Bibi:
estudo de sílaba por sílaba das músicas da grande fadista
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A pele alva sem maquiagem destaca os olhos acentuados por cílios
postiços como os de uma boneca. O batom vermelho e a roupa
preta injetam dramaticidade fundamental à personagem. Assim,
Bibi Ferreira fecha os olhos, respira fundo e encarna mais uma impressionante
metamorfose, transformando-se na lendária cantora portuguesa
Amália Rodrigues, morta em 1999, aos 79 anos, por um câncer
no pulmão. Após duas horas de ensaio, a disposição
de Abgail Izquierdo Ferreira é invejável. A
voz de Amália era perfeita. Estudo Amália há
três meses. Primeiro entendi, depois senti, agora faço
uma minuciosa apuração, sílaba por sílaba,
descreve a atriz, às vésperas de completar 79 anos
de idade e 60 de profissão. A estréia de Bibi vive
Amália acontecerá na sexta-feira 1º, quando
inaugura a Ribalta, a mais nova casa de espetáculos do Rio
de Janeiro, na Barra da Tijuca. Será uma temporada de apenas
três dias, alongando-se em São Paulo por mais quatro,
a partir da quinta-feira 7, com outra inauguração,
a do Espaço Cultural Santo Agostinho. Depois de outras capitais
brasileiras, a turnê termina em outubro, em Lisboa.
| Carlos
Magno |
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Amália:
Desejo de que Bibi a encarnasse numa peça musical
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O namoro artístico entre Bibi Ferreira e Amália Rodrigues
começou nos anos 80, durante a temporada de Piaf, a vida
de uma estrela da canção, assistido 12 vezes pela
intérprete de fados. Passado o impacto causado pela filha
do antológico ator Procópio Ferreira, há três
anos Amália confidenciou ao amigo e conterrâneo Thiago
Torres da Silva o desejo de ver Bibi representando sua vida no palco.
Começamos a montar o espetáculo com Amália
ainda viva. Nossa intenção era lhe fazer uma vontade,
recorda Thiago, 31 anos, que assina o texto e a direção
do espetáculo, patrocinado pela Petrobras e pela BrasilTelecom.
Mas foi só no Natal de 2000 que a atriz brasileira se encontrou
com Thiago em Lisboa e lhe entregou um bem-cuidado rascunho do espetáculo.
Agora, enquanto assiste aos ensaios, o jovem português emociona-se
a cada vez que a vê em cena. Bibi tem um talento inexplicável.
Faz uma personagem muito verdadeira, exulta o diretor, que
garimpou todo o texto em entrevistas de Amália.
| Ricardo
Malta |
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Com
o pai, o antológico ator Procópio Ferreira:
pessoa maravilhosa, de papo encantador
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Sob a direção musical do maestro Nelson Malim, o
repertório reúne 24 canções, entre elas
as antológicas Casa portuguesa, Coimbra e
Tiro liro liro. Como não poderia deixar de ser, a atmosfera
lusa é acentuada por um acordeão e pela melancólica
guitarra portuguesa. O projeto ainda inclui o lançamento
do musical em DVD, além de uma fotobiografia. Não
é difícil lembrar os melhores momentos de sua carreira,
que ela recorda com a mesma precisão das sensações
atuais. Um deles é Gota dágua, de autoria
de Chico Buarque e do ex-marido Paulo Pontes, morto aos 36 anos.
Na época, estava neste mesmo estado de graça
de agora, compara ela. Outras passagens mágicas foram
em My fair lady e Hello Dolly. Bibi também
se gaba de ter descoberto sua vocação muito cedo.
Aos três anos já era uma estrelinha da mesma companhia
pela qual sua mãe, a bela corista Aída Izquierdo,
percorria as capitais da América do Sul.
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