|
Racionar
é um erro
-
Continuação
Carlos
Drummond e Mário
Simas Filho
ISTOÉ Então, por que o Paraná
investiu e o Brasil, não?
Lerner Investimos porque achamos que era
estratégico.
ISTOÉ E não era estratégico para
o Brasil?
Lerner O Paraná se endividava para
produzir energia e a repassava para São Paulo, pois na época
não tínhamos a industrialização. Então,
quando se falava em guerra fiscal, a nossa guerra fiscal era infra-estrutura,
eram as grandes empresas saberem que nunca teriam problema de energia
no Paraná. E é claro que essas grandes empresas que
estão no Paraná hoje consideraram isso. E fizemos
tudo isso sem colocar muito dinheiro. A Copel, há quatro
anos, é minoritária nos grandes investimentos. O último
grande investimento que ela fez foi a usina de Caxias, com mil megawatts.
ISTOÉ E, hoje, como são feitos os investimentos
com a Copel?
Lerner Hoje, a Copel talvez seja o grupo mais qualificado
na área de energia e entra com seu know-how e um pouco de
investimento. Ela sempre pilota o investimento com 20%, dificilmente
ultrapassa isso. O sucesso está na capacidade de regular
as questões estratégicas. O importante é ter
essa condição.
ISTOÉ Parece que a Agência Nacional de
Energia Elétrica (Aneel) não atrapalha o Paraná,
mas atrapalha outros Estados.
Lerner A Aneel funciona em relação
ao Paraná como funciona com os outros Estados. É um
problema de cada Estado resolver seus próprios problemas.
Não é a Aneel que tem prejudicado, nem tampouco tirado
a criatividade dos governantes. A Aneel não coloca obstáculos
para quem quiser investir. A crítica que havia se dava em
relação ao acúmulo de burocracia para quem
quisesse colocar dinheiro no País, mas isso já está
resolvido. Só no Paraná licitaremos três usinas
dentro de duas semanas. E isso é verdadeiro para o País
inteiro. O que tem havido é resistência por parte de
alguns agentes financeiros, pois o Brasil ainda carrega o estigma
de País caloteiro, criado com a moratória unilateral
do Sarney. Os investidores não têm culpa disso. Mas
o certo é que lá fora existem recursos abundantes
e baratos.
ISTOÉ O sr. tem problemas políticos
no Paraná: por exemplo, com a vice-governadora, mulher do
prefeito cassado de Londrina. Como está sua imagem com isso?
Lerner Todos os governos que fizeram o ajuste
fiscal passam por um grande desgaste. Sou a favor da Lei de Responsabilidade
Fiscal, mas é preciso saber que o governo não começa
no ano zero. Não posso atender muitas demandas e a oposição
capitaliza isso.
ISTOÉ Como o sr. está se sentindo no
PFL?
Lerner O PFL tem excelentes quadros, mas
parece um envelope velho, amarelado. Está antigo. O seu discurso
precisa estar mais próximo da população. O
partido precisa se atualizar e começar a ver o País
com os olhos do povo, o que implica mudanças de discurso,
de propostas e de compromissos. O PFL precisa deixar de ser adoçante
de governos e ter seu próprio discurso. A época do
acerto da dívida já passou. A estabilidade do real
foi importante, mas agora é preciso avançar. Chegou
a hora de se preocupar com os problemas das pessoas. Então,
o partido terá que avançar. Não basta ser a
favor ou contra a política econômica do governo.
ISTOÉ Chegou a hora de o partido ter candidato
próprio à Presidência?
Lerner Acho que o partido tem tudo para querer isso.
ISTOÉ O sr. seria esse candidato?
Lerner Nem colocaria isso, é uma
questão do partido. Apenas sinto que é o momento de
avançar. Criamos uma geração que se especializou
em denúncia. Agora temos que ir para a frente.
ISTOÉ Como o sr. vê a situação
do senador Antônio Carlos Magalhães?
Lerner Não vivo o dia-a-dia do Senado. Mas
acho que o caminho dele é o de tentar dar a resposta pelo
voto na Bahia.
ISTOÉ O sr. acredita que ele vá renunciar?
Lerner Acho que esse é o caminho.
E o partido já metabolizou isso. 
|