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Se
Deus quiser
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Ricardo
Stuckert
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Humor
do presidente da República não poderia estar pior.
O destempero demonstrado na entrevista à jornalista Teresa
Cruvinel, publicado na quarta-feira 23, no jornal O Globo,
constitui um bom exemplo. Nem mesmo o fato de livrar-se de Antônio
Carlos Magalhães consola FHC. E o motivo desse horrível
estado de espírito é a célere deterioração
de seu governo, que, salvo alguma mágica, inviabiliza o projeto
tucano de manutenção do poder, ao se aproximarem as
eleições de 2002.
Tudo
isso porque o humor do povo brasileiro anda péssimo. Bem
pior que o do presidente. E a culpa é do racionamento. Ou
melhor, dos responsáveis pelo racionamento: o presidente
e sua turma. O mau humor vem tanto daqueles que consomem 200 kWh
quanto dos que ultrapassam 500 kWh ou mais de 2.000 kWh. Nenhum
deles se conforma em pagar a conta pela incompetência do governo.
Fossem hoje as eleições, raríssimos seriam
os votos para a turma de FHC. E não ajuda nada tripudiar.
Como fez aquele membro da Comissão do Apagão, o sr.
Mauro Arce, ao sair com a seguinte provocação: Vamos
pôr banda na porta do cara e cortar a luz. O custo apagão,
como vem sendo chamado o impacto político causado pelo racionamento,
é incalculável. A inépcia do Planalto no episódio
está transformando o País e não só
a nossos olhos.
Em
relatório do Santander Central Hispano Investment, com o
título Quem apagou a luz, os investidores americanos
são informados de que a crise de energia brasileira não
é fruto só da falta de chuvas, mas também
de investimentos, e por isso a confusão deve durar
três anos, tempo para que as usinas termelétricas comecem
a funcionar. O relatório afirma ainda que o PIB vai cair;
o dólar, subir, etc., etc., etc.
Já
para Fernando Henrique, durante a entrevista acima citada, o
racionamento passa, o povo está colaborando, vai chover em
setembro, e haverá muita luz no Natal, se Deus quiser.
Hélio
Campos Mello, Diretor de Redação
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