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 EDUCAÇÃO & CIDADANIA
23/05/2001
Especial continua...

A hora da decisão
O especialista em orientação vocacional Silvio Bock diz que escolher a profissão é “definir um projeto de vida”

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Eduardo Marini

Ricardo Giraldez

Um dos problemas mais graves do ensino brasileiro é a elevada evasão no nível superior. Inexperiência, falta de informação e desconhecimento da própria personalidade levam milhares de jovens a deixar a faculdade todos os anos. Em alguns cursos, o abandono chega a 40%. O prejuízo é geral. O aluno que deixa o curso perdeu tempo e dinheiro. Quem ocupar o lugar poderia estar estudando há mais tempo. Nos casos em que a vaga é pública, a situação é ainda pior – no final, o contribuinte paga a conta. Um dos principais recursos para diminuir a evasão é a orientação vocacional, um conjunto de técnicas criado para ajudar as pessoas a escolher uma profissão ou curso superior com margem reduzida de erro. Nesta entrevista a ISTOÉ, o pedagogo Silvio Bock, mestre em orientação vocacional pela Unicamp e coordenador do Nace, um instituto de São Paulo com mais de três mil atendimentos na área, enumera os benefícios que o trabalho pode trazer aos estudantes indecisos. “Escolher uma profissão é, na verdade, definir um projeto de vida”, resume Bock.

ISTOÉ – O que é orientação vocacional?
Silvio Bock – É, antes de tudo, um processo de intervenção. Nele, o profissional da área, psicólogo ou pedagogo, ajuda a pessoa indecisa a reunir informações, a refletir e a tomar a decisão de maneira mais ponderada e segura.

ISTOÉ – Como é feito o trabalho?
Bock – Os processos podem ter uma ou outra etapa diferente, mas a tendência, nos últimos anos, é evitar o teste vocacional tradicional, em que o aluno senta numa cadeira, responde a um questionário e, duas horas depois, recebe uma ou duas opções. O nosso grupo e equipes de universidades importantes como a PUC-SP, a USP, a Unicamp e a UnB não confiam no resultado desses testes. No Nace, realizamos jornadas com 16 participantes, no máximo, durante 30 horas, distribuídas em duas sessões semanais de pouco menos de duas horas cada uma. Nos primeiros encontros, discutimos temas como autoconhecimento e significado da escolha profissional. O aluno é levado a refletir sobre valores familiares, sociais, religiosos e profissionais. Essa fase da jornada ajuda a pensar sobre o futuro, modificar aspectos indesejáveis ou mesmo desenvolver aspectos positivos de sua vida que ainda não tinham sido devidamente trabalhados.

ISTOÉ – A pessoa está pronta para fazer a escolha neste ponto?
Bock – Ainda não. O passo seguinte é oferecer informações sobre várias profissões, entre elas as indicadas no início pelo estudante. Ele deverá estabelecer uma comparação entre o que pensa de cada atividade e o que ela realmente exige. A partir desse ponto, o jovem, na maioria dos casos, caminha naturalmente para uma escolha consciente. Esse trabalho também pode ser feito individualmente. A orientação vocacional é útil para quem está concluindo o ensino médio e também para adultos que pretendem repensar sua escolha profissional.

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