| ARTES
& ESPETÁCULOS |
23/05/2001 |
Livros
II
O
recluso
Salinger
não é autor de um romance só
Luiz
Chagas
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Divulgação
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Salinger,
em foto de 1953: pequenas histórias sobre uma família
de sete irmãos
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Um dos escritores mais reclusos do planeta, o americano J. D. Salinger
ficou famoso desde a publicação, em 1951, de O
apanhador no campo de centeio, que narra a descoberta do mundo
adulto pelo garoto Holden Caulfield. Tanto o assassino de John Lennon
quanto o maluco que atirou no então presidente Ronald Reagan,
em 1981, carregavam exemplares do romance, o que lhe conferiu uma
aura de transgressão. O culto em torno da obra foi tamanho
que depois dele Salinger se limitou a escrever 35 histórias
curtas, publicadas na revista americana New Yorker. Seis
delas giram em torno da família Glass, caso de Carpinteiros,
levantem bem alto a cumeeira e Seymour: uma apresentação
(Companhia das Letras, 184 págs., R$ 23), publicadas em 1955
e 1959, respectivamente. O livro com essas duas histórias
é considerado o melhor trabalho do escritor.
Ambas são narradas por Buddy, o segundo dos sete irmãos
Glass, e falam de Seymour, o primogênito que se suicidaria
em 1946, quatro anos após seu casamento. A primeira conta
as peripécias de Buddy durante o tal casamento, a cuja cerimônia
o irmão mais velho não compareceu, fugindo com a noiva
ao final. A segunda, além de incensar a figura de Seymour,
é uma espécie de profissão de fé de
Salinger, 82 anos, abrindo espaço para as influências
da juventude, como o escritor Franz Kafka e o filósofo Soren
Kierkegaard. 
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