| ARTES
& ESPETÁCULOS |
23/05/2001 |
Cinema
Mundo
cão
Amores
brutos pinta um painel violento da cidade do México
Ivan
Claudio
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Divulgação
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Goya e o amante: depressão provocada pelo desaparecimento
de sua cadela
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Um violento painel da cidade do México, dos bairros chiques
à pobreza da periferia, Amores brutos (Amores perros,
México, 2000), em cartaz nacional na sexta-feira 25, é
daqueles filmes que conquistam de cara o espectador ou o fazem sair
da sala logo nos primeiros minutos. Num vôo rasante pelas
ruas da caótica metrópole, a história se inicia
com um acidente que reúne por alguns instantes os três
protagonistas do filme. Octavio (Gael García Bernal) fugia
com seu cão de briga Cofi, depois de esfaquear um adversário
numa rinha canina. A modelo Valeria (Goya Toledo) estava indo ao
encontro do seu amante, editor de uma revista de fofocas. E El Chivo
(Emilio Echevarría), um mendigo que assiste de perto à
batida, resolve salvar o cão ferido. Eles vivem em mundos
completamente diferentes, sem nenhuma comunicação.
Mas o talentoso diretor mexicano Alejandro González Iñárritu
entrelaça com extrema habilidade a trajetória destas
três figuras, tecendo as tramas anteriores e posteriores ao
acidente.
No crescendo alucinante da narrativa se acompanha a violenta paixão
de Octavio pela cunhada, maltratada pelo marido, um caixa de supermercado.
Sua loucura não é maior que a da vaidosa Valeria,
modelo que entra em parafuso devido ao acidente e ao absurdo sumiço
de sua cadela. Entre um gesto insano e outro, sobressai a moral
superior do mendigo El Chivo, ex-militante de esquerda tornado matador
de aluguel, disposto a dar uma lição num empresário
que lhe contrata para dar cabo do irmão e sócio. Descontado
o sadismo de mostrar cães brigando ou desfalecidos, Iñárritu
estréia com o pé direito, revelando com impiedade
a miséria afetiva que atravessa de alto a baixo a sociedade
mexicana. 
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