| MEDICINA
& BEM ESTAR |
16/05/2001 |
Alerta
Falsa
raridade
A doença celíaca, uma intolerância ao glúten,
atinge 300 mil brasileiros, mas é pouco conhecida
Lena
Castellón
| André
Sarmento |
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Nildes prepara alimentos sem glúten |
Neste mês, o Ministério da Saúde deverá
receber uma solicitação para incluir seis exames médicos
especiais, como biópsia do intestino delgado, no serviço
público de saúde, para ajudar a identificar um mal
tido como raro no País: a doença celíaca. A
dificuldade de diagnóstico é um dos principais obstáculos
para controlar a enfermidade. É por isso que a Associação
dos Celíacos do Brasil (Acelbra) luta para conseguir atendimento
especializado acessível e mostrar que o problema é
mais comum do que se imagina. Estudo recente da Universidade de
Brasília calcula que existam cerca de 300 mil brasileiros
com a doença, uma alteração genética
que causa intolerância ao glúten (proteína presente
em alimentos produzidos a partir de trigo, aveia, cevada e centeio).
Por conta disso, o funcionamento do organismo fica tão comprometido
que até afeta o crescimento.
O nome da enfermidade pode parecer novidade para muita gente,
mas a doença celíaca do grego koiliakos
(aqueles que sofrem do intestino) é estudada desde
o final do século XIX. Ainda assim, seus sintomas muitas
vezes são confundidos com outros males, como verminose e
subnutrição. Os sinais de alerta, principalmente em
crianças, são emagrecimento, anemia, vômito,
humor alterado, barriga distendida e bumbum achatado. Além
disso, a doença pode causar baixa estatura, surgimento precoce
de osteoporose (enfraquecimento ósseo), constipação
intestinal e até linfomas (um tipo de tumor). E o mal é
hereditário. Cerca de 10% dos familiares de um celíaco
têm o problema sem desenvolver os sintomas, conta a
gastropediatra Vera Sdepanian, coordenadora do Ambulatório
de Doença Celíaca da Universidade Federal de São
Paulo.
Em geral, a doença celíaca surge no primeiro ano
de vida, época em que o bebê começa a consumir
produtos com glúten, como pães e biscoitos. Ela também
pode aparecer na adolescência e na fase adulta. Os médicos
ainda não conseguem explicar por que a manifestação
é tardia em alguns casos. O que se sabe é que a pessoa
que tem predisposição à enfermidade produz
anticorpos ao glúten assim que toma contato com o ingrediente.
Os anticorpos agem no intestino delgado, atrofiando-o. Desse modo,
o órgão perde a capacidade de absorver nutrientes,
o que leva aos problemas decorrentes da doença.
Como não existe cura, o celíaco é obrigado
a retirar definitivamente o glúten de sua dieta. Aí,
surge mais um obstáculo. Uma lei federal de 1992 determina
que os alimentos industrializados com glúten tenham estampados
no rótulo a presença da proteína. Mas ela não
é seguida com rigor. Mandamos cartas para as companhias
alimentícias tomarem consciência do problema,
afirma Nildes Andrade, 55 anos, vice-presidente da Acelbra. Como
se não bastasse, há pouca oferta de produtos feitos
para quem tem a doença. A alternativa é criar bolos
e massas em casa com substitutos do glúten (fécula
de batata e polvilho, entre outros). Queremos ter uma cozinha
experimental para ensinar pratos para os celíacos,
diz Nildes, que descobriu há seis anos que é celíaca.
Enquanto isso não acontece, a entidade usa a internet para
trocar receitas, como quiche de legumes com presunto. Os interessados
podem procurar mais dicas pelo site www.acelbra.org.br.

| Quiche
de legumes com presunto |
Recheio:
2 colheres de margarina
1 cenoura ralada
1 cebola picada
1 abobrinha grande ralada
2 dentes de alho socados
2 cubos de caldo de legumes (sem glúten)
1 xícara de presunto em cubos
1/2 xícara de cheiro-verde
sal, se necessário
Massa:
1 caixa de creme de arroz
3 colheres de amido
de milho
150 gramas de margarina
1 cubo de caldo de legumes dissolvido em 2 colheres de água
quente
1 gema
Cobertura:
4 ovos inteiros
1 caixa de creme de leite
3 colheres de queijo parmesão ralado
noz-moscada
Preparo:
Refogue os ingredientes do recheio e reserve-os. Bata os ingredientes
da massa no processador de alimentos durante um minuto. Leve-a
para a geladeira por 15 a 20 minutos para ela ficar mais firme.
Abra a massa com a mão e coloque-a nas laterais e no
fundo removível de uma fôrma redonda. Asse durante
10 minutos em temperatura média. Bata os ingredientes
da cobertura no liquidificador e reserve. Retire a massa do
forno, coloque o recheio e a cobertura. Asse o quiche até
a massa ficar dourada.
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