| ARTES
& ESPETÁCULOS |
09/05/2001 |
Livros
III
Intimidades
roqueiras
Duas
obras trazem à tona a verborragia de John Lennon e o circo pop dos
Rolling Stones
Luiz
Chagas
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Fernando
Seixas/O Cruzeiro/Acervo Estado de Minas
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Richards
e Jagger, em 1969, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio: fugindo
do assédio
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Na virada dos anos 70, a juventude ainda dividia-se entre fãs
dos Beatles e dos Rolling Stones. É um período curioso,
que pode ser revivido sob a ótica de seus protagonistas em
dois livros recém-lançados no Brasil: Lembranças
de Lennon (Conrad, 166 págs., R$ 19,80), de Jann S. Wenner,
e Os Rolling Stones no Brasil da descoberta à conquista
(1968-1999) (Ampersand, 292 págs., R$ 75), de Nélio
Rodrigues. O primeiro traz a íntegra da famosa e polêmica
entrevista concedida por John Lennon, em 1970, já como um
ex-Beatle, e publicada em 1971 com cortes no então jornal
americano Rolling Stone. No prefácio escrito pela viúva
de Lennon, a artista plástica Yoko Ono, ela diz que o ex-fab
four não é sutil nem mesmo particularmente esperto.
Atira para todos os lados. Começando pelos ex-parceiros.
Sobre o álbum McCartney, de Paul McCartney, diz que
é tolo; All things must pass, a obra-prima de George
Harrison, tacha de meloso; Beaucoups of blues, de Ringo Starr,
define como um bom disco mas....Pelo menos não me constrange
tanto quanto o anterior. Seus colegas de profissão,
então, não merecem misericórdia. Os Beatles
decidiram não se mover como Elvis, depois veio o Mick Jagger
e ressuscitou aquela idiotice de rebolados, fulmina.
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De fato, desde 1967, os Stones rebolavam. Mesmo sem querer. Lançavam
discos entre temporadas na cadeia, o que impedia a realização
de shows e lhes dava consequentes férias. A primeira parte
do livro de Nélio Rodrigues biólogo de formação
que se dedica à pesquisa musical , que inclusive tem
um autógrafo de Jagger, faz um verdadeiro dossiê das
visitas individuais dos componentes do grupo ao País. Jagger
veio ao Brasil regularmente a partir de 1968. Com Keith Richards,
que trouxe na segunda vinda, compôs Honky tonky women
na Fazenda Boa Vista, propriedade do banqueiro Walter Salles, situada
em Matão, interior de São Paulo. Sempre bem acompanhado
por Marianne Faithfull, Bianca Macias e Jerry Hall, estas duas últimas
esposas de fato, Jagger voltaria várias vezes aos trópicos,
onde sua banda finalmente se apresentou, em 1995. Mas seria na segunda
turnê dos Rolling Stones pelo Brasil, em 1998, que ele conheceria
a hoje apresentadora Luciana Gimenez. O encontro se deu na véspera
do show de estréia no Rio de Janeiro, durante uma festa em
Santa Tereza. Depois de borboletear pelo salão, sendo rechaçado,
entre outras, pela cantora Simone Moreno, mulher do guitarrista
Pepeu Gomes, avistou Luciana.
Os dois desapareceram durante meia hora, provocando comentários.
Voltaram sorridentes do jardim. No ano seguinte, enquanto Jerry
Hall literalmente movia céus e infernos para conseguir o
divórcio do cantor, no dia 18 de maio nascia em Londres Lucas
Maurice Morad Jagger, filho de Luciana e Mick. Como se vê,
os dois livros trazem flashes íntimos e reveladores de personalidades
planetárias. A diferença é que, enquanto Lennon
se esforçava para lembrar as próprias peripécias,
Jagger, certamente, hoje gostaria de ver algumas das suas esquecidas.
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