| ARTES
& ESPETÁCULOS |
18/04/2001 |
Livros
II
Saga
mágica
Skármeta
inspira-se no realismo fantástico
Luiza
Villaméa
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Divulgação
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Skármeta:
habituado a paisagens estrangeiras
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Conhecido em todo o mundo pela versão hollywoodiana de seu
romance O carteiro e o poeta, o escritor chileno Antonio
Skármeta habituou-se desde sempre com paisagens estrangeiras.
Neto de iugoslavos radicados no Chile, ele próprio se impôs
15 longos anos de exílio em vários países durante
a ditadura do general Augusto Pinochet. Seu mais recente romance,
As bodas do poeta (Record, 364 págs., R$ 30), começa
justamente com o austríaco Jerônimo Frank trocando
Viena por uma longínqua e fictícia ilha do Mar Adriático.
Herdeiro de um banco, Jerônimo desiste da lida nas altas
rodas financeiras para reabrir O Europeu, uma casa comercial sofisticada,
numa terra repleta de moradores cuja poupança se resumia
à caspa guardada em seus cabelos e aos fungos depositados
em seus pés. Assim que chega ao local, às vésperas
da Primeira Guerra Mundial, o estrangeiro fica noivo de Alia Emar,
a garota mais cobiçada daquelas terras. Com visível
inspiração no realismo mágico de Gabriel García
Márquez, a obra se desenvolve durante os preparativos da
festa de núpcias. Em alguns momentos, Gema, como a ilha é
batizada por Skármeta, lembra muito a Macondo de Cem anos
de solidão.
Só que em Gema a narrativa começa com uma linguagem
próxima ao rebuscado, marcada pelo excesso de adjetivos.
Aos poucos, porém, a saga passa a fluir. Estruturado a partir
de relatos dos avós imigrantes de Skármeta, o romance
é reincidente ao apresentar homens em busca de uma nova terra
para viver. Como se fosse para fechar um ciclo, 12 personagens acabam
abandonando a ilha de Gema rumo ao Chile de Skármeta, que,
por sinal, já não vive mais na capital Santiago. Aos
60 anos, voltou a Berlim, cidade que o abrigou em boa parte do exílio. 
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