É hora de agir
Comprovada a autenticidade da fita de ISTOÉ, que
confirma as declarações de ACM, cabe ao Congresso investigar o senador
e apurar as pistas dadas por ele aos procuradores
Andrei Meireles , Isabela
Abdala e Sônia Filgueiras
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A
conversa de ACM
com os procuradores
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No
final da tarde da quinta-feira 8, o palanque em que estava o senador
Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) desabou no município
baiano de Jequié. Era o quarto tombo de ACM em menos de 24
horas. Um dia antes, ele recebeu uma humilhante descompostura pública
da senadora Heloísa Helena (PT-AL) e subiu à tribuna
do Senado para tentar negar que tivesse dito a três procuradores
da República que sabia quem votou a favor e contra a cassação
do mandato do então senador Luiz Estevão (PMDB-DF).
Chamei Vossa Excelência de canalha porque é a
única maneira de o senhor entender e ouvir. O senhor foi
muito mal acostumado, assustando gente com síndrome de capitão-do-mato,
berrou. Na manhã seguinte, o perito em fonética Ricardo
Molina de Figueiredo apresentou ao Senado uma transcrição
do que conseguiu recuperar
| Ricardo
Stuckert |
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| Molina
mostra a fita aos senadores ... |
de
uma gravação quase inaudível da conversa do
cacique baiano com os procuradores Luiz Francisco de Souza, Guilherme
Schelb e Eliana Torelly. Mesmo com diálogos truncados e sem
conseguir captar inúmeros trechos perfeitamente audíveis
nas outras duas fitas as ouvidas por ISTOÉ e que teriam
sido queimadas por Schelb e Torelly , a degravação
exibida por Molina confirma que ACM e seu assessor Fernando César
Mesquita deram dicas ao Ministério Público de como
pegar o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo
Jorge Caldas e chegar a FHC. Mostra também que Antônio
Carlos mentiu ao plenário quando disse ter certeza de que
Heloísa Helena votou contra Luiz Estevão. Heloísa
Helena votou nele... eu tenho todos que votaram nele, confessa
ACM em um dos trechos da fita periciada. A bola agora está
com os senadores: é o momento de agir.
| André
Dusek |
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| ...
Tuma inspeciona o painel |
A fita
analisada por Molina e outros dois peritos foi gravada a partir
do gabinete de Luiz Francisco, separado por uma divisória
de madeira da sala de Eliana Torelly, onde aconteceu a reunião
com o senador. Sua qualidade é ainda mais prejudicada pelas
frequentes superposições de vozes com as secretárias
do procurador falando ao telefone. A pedido de Luiz Francisco, na
quinta-feira 1º, ISTOÉ entregou a fita a Molina. Na
madrugada da sexta-feira, chegaram aos primeiros resultados, com
o resgate de 20% do conteúdo das conversas. Com mais seis
dias de trabalho, a equipe de Molina avalia que recuperou 75% da
fita, de 57 minutos e 51 segundos. Os técnicos, porém,
não conseguiram reconstituir trechos inteiros a que ISTOÉ
teve acesso em outras duas fitas que registraram cerca de uma hora
e 20 minutos de diálogo. É o caso, por exemplo, das
acusações desferidas por ACM e Fernando César
contra os ministros do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim e Ellen
Gracie Northfleet, que nem sequer aparecem na transcrição
de Molina.
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