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 POLÍTICA 14/03/2001
Política continua...

É hora de agir
Comprovada a autenticidade da fita de ISTOÉ, que confirma as declarações de ACM, cabe ao Congresso investigar o senador e apurar as pistas dadas por ele aos procuradores


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Andrei Meireles , Isabela Abdala e Sônia Filgueiras

A conversa de ACM
com os procuradores

No final da tarde da quinta-feira 8, o palanque em que estava o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) desabou no município baiano de Jequié. Era o quarto tombo de ACM em menos de 24 horas. Um dia antes, ele recebeu uma humilhante descompostura pública da senadora Heloísa Helena (PT-AL) e subiu à tribuna do Senado para tentar negar que tivesse dito a três procuradores da República que sabia quem votou a favor e contra a cassação do mandato do então senador Luiz Estevão (PMDB-DF). “Chamei Vossa Excelência de canalha porque é a única maneira de o senhor entender e ouvir. O senhor foi muito mal acostumado, assustando gente com síndrome de capitão-do-mato”, berrou. Na manhã seguinte, o perito em fonética Ricardo Molina de Figueiredo apresentou ao Senado uma transcrição do que conseguiu recuperar

Ricardo Stuckert
Molina mostra a fita aos senadores ...

de uma gravação quase inaudível da conversa do cacique baiano com os procuradores Luiz Francisco de Souza, Guilherme Schelb e Eliana Torelly. Mesmo com diálogos truncados e sem conseguir captar inúmeros trechos perfeitamente audíveis nas outras duas fitas – as ouvidas por ISTOÉ e que teriam sido queimadas por Schelb e Torelly –, a degravação exibida por Molina confirma que ACM e seu assessor Fernando César Mesquita deram dicas ao Ministério Público de como pegar o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas e chegar a FHC. Mostra também que Antônio Carlos mentiu ao plenário quando disse ter certeza de que Heloísa Helena votou contra Luiz Estevão. “Heloísa Helena votou nele... eu tenho todos que votaram nele”, confessa ACM em um dos trechos da fita periciada. A bola agora está com os senadores: é o momento de agir.

André Dusek
... Tuma inspeciona o painel

A fita analisada por Molina e outros dois peritos foi gravada a partir do gabinete de Luiz Francisco, separado por uma divisória de madeira da sala de Eliana Torelly, onde aconteceu a reunião com o senador. Sua qualidade é ainda mais prejudicada pelas frequentes superposições de vozes com as secretárias do procurador falando ao telefone. A pedido de Luiz Francisco, na quinta-feira 1º, ISTOÉ entregou a fita a Molina. Na madrugada da sexta-feira, chegaram aos primeiros resultados, com o resgate de 20% do conteúdo das conversas. Com mais seis dias de trabalho, a equipe de Molina avalia que recuperou 75% da fita, de 57 minutos e 51 segundos. Os técnicos, porém, não conseguiram reconstituir trechos inteiros a que ISTOÉ teve acesso em outras duas fitas que registraram cerca de uma hora e 20 minutos de diálogo. É o caso, por exemplo, das acusações desferidas por ACM e Fernando César contra os ministros do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim e Ellen Gracie Northfleet, que nem sequer aparecem na transcrição de Molina.

Leia mais nas próximas páginas :

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