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EUA
Orgasmo
total
- continuação
Osmar
Freitas Jr. – Nova York
As
primeiras palavras que Steve Bodansky disse para Vera foram: Meu
nome é Steve e eu adoraria te masturbar. Isso foi em
maio de 1979, e os dois estão juntos desde então.
Vera não apenas aceitou a oferta, como tempos depois virou
a senhora Bodansky. Os dois são hoje PhD em sexologia e se
encontraram na Universidade de More. São também os
autores do livro lançado em dezembro passado e intitulado
Extended Massive Orgasm, cujo subtítulo é:
Como você pode dar e receber prazer sexual intenso.
Em meados de fevereiro a obra se esgotou na Barnes&Nobles do
Upper West Side, uma das maiores livrarias de Manhattan. Os dois
últimos exemplares foram agarrados com sofreguidão
por um senhor de meia-idade que chegara ali com o expresso propósito
de comprar aquele livro. Afinal, naquelas 208 páginas estão
condensados os frutos de 22 anos de estudos teóricos
e práticos no campo do orgasmo. Os autores montaram
escola na Califórnia, onde garantem que já abriram
as portas da percepção para mais de 800 pessoas. É
claro que não há preço para a mercadoria que
prometem entregar, mas eles cobram de US$ 100 a US$ 1.000, dependendo
da extensão das aulas e da cara do aluno. Nós
já chegamos até mesmo a dar bolsas de estudo para
alguns, diz Vera. E os mestres garantem que se a pessoa conhecer
bem seu parceiro, praticar as técnicas e prestar muita atenção
naquilo que está fazendo, será capaz de induzir o
receptáculo de sua dedicação a um gozo de prolongamento
infinito.
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Alcir N. da Silva |
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| Alunos
Nove semanas de amor por US$ 500 |
Êxtase
prolongado Steve, um cinquentão bigodudo, alto
e calmo, é nativo do Brooklyn. Ele e Vera passaram por dois
casamentos antes de se conhecer. Eu gostaria de ter aprendido
a técnica do EMO antes: teria tido um relacionamento muito
melhor com minhas ex-esposas. Lembro que no primeiro casamento nunca
soube se minha mulher teve ou não um orgasmo, por menor que
fosse. E nós nunca falamos sobre clitóris, eu nem
sabia direito que esta parte importante da anatomia existia,
diz Steve, que hoje se define como um especialista no assunto. E
é no desconhecido feixe de nervos do clitóris que
está a chave do sucesso (embora para isso também seja
fundamental a contribuição de outro feixe de nervos
e músculos: o dedo). Entenda-se: o orgasmo de três
horas não será obtido através da cópula.
Virá como resultado de estimulação manual da
genitália. Os homens também são capazes
de gozar durante várias horas. Existem relatos de homens
que ao serem masturbados de acordo com as técnicas do EMO
ejacularam ininterruptamente por mais de uma hora e descarregaram
fluidos em quantidade suficiente para encher um copo, diz
Vera, que no entanto confessa jamais ter presenciado tal proeza.
Mas, se a façanha for verdadeira, não implicaria riscos
de esfolamento e desidratação? Ninguém
fica desidratado ao perder um copo de líquido. E nós
sempre recomendamos o uso de lubrificantes sendo a vaselina
o melhor deles durante as atividades, explica Steve.
As
técnicas para conseguir um EMO estão detalhadas em
prosa e ilustrações no livro. Explica-se que o clitóris
tem à semelhança do pênis prepúcio
(aquela pele que cobre a glande). Para se conseguir eficiência
nos trabalhos será preciso desobstruir o campo de operações.
É aí que atua um segundo dedo: o polegar. O
polegar terá a função de puxar a pele que encobre
o clitóris. A mulher obtém prazer mesmo com o clitóris
encoberto pelo prepúcio, mas terá maior sensibilidade
se a pele for arregaçada, diz Vera. Assim o dedo indicador
terá campo livre para massagear. A outra mão será
encarregada de acariciar outras partes do corpo da mulher.
Grilos
É de se perguntar: toda esta ginástica não
será indutora de cãibra ou, pior, de lesão
de esforço repetitivo? Não, pois ninguém
deve ter expectativas de começar já fazendo longas
massagens de três horas. Lembre-se: é preciso prática.
Isso eliminará a chance de cãibra. Já a lesão
de esforço repetitivo não ocorre porque a técnica
é inimiga de repetições. Ela explica
que um dos grandes segredos é procurar nunca repetir os movimentos.
Do contrário a mulher ativa um recurso psicológico
automático chamado de não-confronto, que significa
permanecer inconsciente em relação à sensação.
A mente humana recebe a cada momento milhões de informações
através dos cinco sentidos. Mas o consciente só é
capaz de dar atenção a umas poucas informações.
Está programado a só prestar atenção
àquilo que modifica padrões ao seu redor. Tudo o que
se repete por um longo tempo passa a ser ignorado. Exemplo: a sinfonia
de grilos que se ouve à noite no campo. Depois de algum tempo,
a gente desliga e passa a não mais ouvir os grilos. Eles
não pararam a barulheira, mas o nosso consciente assimilou
a repetição. O mesmo vai ocorrer com movimentos repetitivos
no clitóris. A mulher precisa estar atenta à
massagem que recebe e isso se dará em maior escala se os
movimentos do dedo forem diferentes. É assim com as massagens
nos homens, diz Vera. Ela deve saber daquilo que fala, pois
é protagonista da Demonstration of Extended Massive Orgasm
(DEMO), uma demonstração prática feita ao vivo
para os estudantes em seus cursos, em que Vera tem um orgasmo de
três horas, sob o comando dos dedos adestrados de Steve. 
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