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 INTERNACIONAL
14/03/2001
EUA

Orgasmo total - continuação

Osmar Freitas Jr. – Nova York

As primeiras palavras que Steve Bodansky disse para Vera foram: “Meu nome é Steve e eu adoraria te masturbar.” Isso foi em maio de 1979, e os dois estão juntos desde então. Vera não apenas aceitou a oferta, como tempos depois virou a senhora Bodansky. Os dois são hoje PhD em sexologia e se encontraram na Universidade de More. São também os autores do livro lançado em dezembro passado e intitulado Extended Massive Orgasm, cujo subtítulo é: “Como você pode dar e receber prazer sexual intenso”. Em meados de fevereiro a obra se esgotou na Barnes&Nobles do Upper West Side, uma das maiores livrarias de Manhattan. Os dois últimos exemplares foram agarrados com sofreguidão por um senhor de meia-idade que chegara ali com o expresso propósito de comprar aquele livro. Afinal, naquelas 208 páginas estão condensados os frutos de 22 anos de estudos — teóricos e práticos — no campo do orgasmo. Os autores montaram escola na Califórnia, onde garantem que já abriram as portas da percepção para mais de 800 pessoas. É claro que não há preço para a mercadoria que prometem entregar, mas eles cobram de US$ 100 a US$ 1.000, dependendo da extensão das aulas e da cara do aluno. “Nós já chegamos até mesmo a dar bolsas de estudo para alguns”, diz Vera. E os mestres garantem que se a pessoa conhecer bem seu parceiro, praticar as técnicas e prestar muita atenção naquilo que está fazendo, será capaz de induzir o receptáculo de sua dedicação a um gozo de prolongamento infinito.

Alcir N. da Silva
Alunos Nove semanas de amor por US$ 500

Êxtase prolongado – Steve, um cinquentão bigodudo, alto e calmo, é nativo do Brooklyn. Ele e Vera passaram por dois casamentos antes de se conhecer. “Eu gostaria de ter aprendido a técnica do EMO antes: teria tido um relacionamento muito melhor com minhas ex-esposas. Lembro que no primeiro casamento nunca soube se minha mulher teve ou não um orgasmo, por menor que fosse. E nós nunca falamos sobre clitóris, eu nem sabia direito que esta parte importante da anatomia existia”, diz Steve, que hoje se define como um especialista no assunto. E é no desconhecido feixe de nervos do clitóris que está a chave do sucesso (embora para isso também seja fundamental a contribuição de outro feixe de nervos e músculos: o dedo). Entenda-se: o orgasmo de três horas não será obtido através da cópula. Virá como resultado de estimulação manual da genitália. “Os homens também são capazes de gozar durante várias horas. Existem relatos de homens que ao serem masturbados de acordo com as técnicas do EMO ejacularam ininterruptamente por mais de uma hora e descarregaram fluidos em quantidade suficiente para encher um copo”, diz Vera, que no entanto confessa jamais ter presenciado tal proeza. Mas, se a façanha for verdadeira, não implicaria riscos de esfolamento e desidratação? “Ninguém fica desidratado ao perder um copo de líquido. E nós sempre recomendamos o uso de lubrificantes – sendo a vaselina o melhor deles – durante as atividades”, explica Steve.

As técnicas para conseguir um EMO estão detalhadas em prosa e ilustrações no livro. Explica-se que o clitóris tem – à semelhança do pênis – prepúcio (aquela pele que cobre a glande). Para se conseguir eficiência nos trabalhos será preciso desobstruir o campo de operações. É aí que atua um segundo dedo: o polegar. “O polegar terá a função de puxar a pele que encobre o clitóris. A mulher obtém prazer mesmo com o clitóris encoberto pelo prepúcio, mas terá maior sensibilidade se a pele for arregaçada”, diz Vera. Assim o dedo indicador terá campo livre para massagear. A outra mão será encarregada de acariciar outras partes do corpo da mulher.

Grilos – É de se perguntar: toda esta ginástica não será indutora de cãibra ou, pior, de lesão de esforço repetitivo? “Não, pois ninguém deve ter expectativas de começar já fazendo longas massagens de três horas. Lembre-se: é preciso prática. Isso eliminará a chance de cãibra. Já a lesão de esforço repetitivo não ocorre porque a técnica é inimiga de repetições.” Ela explica que um dos grandes segredos é procurar nunca repetir os movimentos. Do contrário a mulher ativa um recurso psicológico automático chamado de não-confronto, que significa permanecer inconsciente em relação à sensação. A mente humana recebe a cada momento milhões de informações através dos cinco sentidos. Mas o consciente só é capaz de dar atenção a umas poucas informações. Está programado a só prestar atenção àquilo que modifica padrões ao seu redor. Tudo o que se repete por um longo tempo passa a ser ignorado. Exemplo: a sinfonia de grilos que se ouve à noite no campo. Depois de algum tempo, a gente desliga e passa a não mais ouvir os grilos. Eles não pararam a barulheira, mas o nosso consciente assimilou a repetição. O mesmo vai ocorrer com movimentos repetitivos no clitóris. “A mulher precisa estar atenta à massagem que recebe e isso se dará em maior escala se os movimentos do dedo forem diferentes. É assim com as massagens nos homens”, diz Vera. Ela deve saber daquilo que fala, pois é protagonista da Demonstration of Extended Massive Orgasm (DEMO), uma demonstração prática feita ao vivo para os estudantes em seus cursos, em que Vera tem um orgasmo de três horas, sob o comando dos dedos adestrados de Steve. 

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