| ECONOMIA
& NEGÓCIOS |
14/03/2001 |
Bolsas
Velhice precoce
- continuação
Antonio
Luiz Monteiro Coelho da Costa
Pouco
depois do auge de um ano atrás, os governos dos EUA e do
Reino Unido advertiram que não aceitariam que o genoma humano
fosse patenteado, jogando um balde de água fria nas expectativas
imediatas para a biotecnologia, principal candidata a sucessora
da internet no posto de galinha dos ovos de ouro do mercado financeiro.
Como se não bastasse, o governo americano abriu um processo
contra as práticas monopolistas da Microsoft, colocando limites
em sua escalada rumo aos céus. Faliu a Iridium, operadora
celular via satélite criada pela Motorola, provando que não
basta tecnologia avançada para garantir o êxito. A
fé, que parecia inabalável, começou a ruir.
Investidores passaram a questionar o entusiasmo excessivo que atribuía
a essas companhias valores em média mais de 200 vezes o seu
lucro anual (a média histórica é 13 vezes)
e avaliava sites deficitários e idéias não
testadas em milhões e até bilhões de dólares.
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Lições
de história Há tempos, economistas como
Paul Krugman e Bradford de Long, dos Estados Unidos, avisavam que
não havia nada de tão novo sob o Sol, como mostra
a história da economia. A produção de automóveis
nos anos 20 seguiu-se a um período de espetacular queda de
preços e melhora de qualidade, tanto quanto a fabricação
de computadores nos 90. O rádio inspirou nos avós
as mesmas expectativas que a internet despertou nos netos. Houve
uma idade heróica durante a qual tudo parecia possível.
Mas depois veio a saturação dos mercados e os novos
investimentos passaram a gerar lucros cada vez menores. Segundo
Robert J. Gordon, da Northwestern University, a atual onda de inovações
tecnológicas, embora tenha proporcionado alguma retomada
do crescimento da produtividade depois da estagnação
dos anos 70 e 80, ainda está bem longe de fazer sombra aos
efeitos quantitativos e qualitativos das revoluções
industriais do vapor e carvão (1760-1830) e da eletricidade
e petróleo (1860-1900).
E
continua sendo verdade que novas descobertas nem sempre trazem frutos
econômicos imediatos. O resultado final do mapeamento final
do genoma humano, aguardado pelas Bolsas como se fosse uma pedra
filosofal que transformaria chumbo em ouro, foi fascinante para
a ciência, mas decepcionante para os negócios: só
mostrou que muitas de nossas suposições sobre quantos
genes temos e sobre como funcionam estavam erradas e que há
muito o que aprender antes de se chegar a resultados lucrativos.
Acreditou
na Nova Economia quem, como o papa da Velha Economia, Henry Ford,
pensou que história é besteira... a única
história que vale alguma droga é a que fazemos hoje.
Ficou com pé atrás quem se lembrou de seu contemporâneo,
o filósofo espanhol George Santayana: Quem não
se lembra do passado está condenado a repeti-lo.
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