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 COMPORTAMENTO 14/03/2001
Mulher

Com tudo em cima
As avós mudaram. Em vez de ficar em casa com os netos, cuidam da beleza, namoram e até saem em escola de samba

Celina Côrtes

Renato Velasco
Rainha da bateria da Mocidade Independente, Mônica, 33 anos, ensina estripulias ao neto Christian

Foi-se o tempo em que as avós enrolavam os cabelos brancos em coques, sentavam-se nas cadeiras de balanço para tricotar ou contar histórias aos netinhos. Hoje elas namoram, malham, fazem análise, meditam, organizam torneios esportivos e são até madrinhas de escola de samba. Curtem os netos, sim, mas também cuidam muito bem do corpo e da cabeça. Aos 46 anos, avó de Rodrigo Irineu, três anos, e Pedro Irineu, dois meses, a longilínea e deslumbrante socialite Aparecida Marinho é invejada por qualquer mulher. Com bem distribuídos 61 quilos em 1,79 m, faz power ioga três vezes por semana, se exercita em aparelhos e na esteira. Também malha durante uma hora e meia por dia com seu personal trainner. Além da genética privilegiada – os pais são esguios como ela –, ser uma avó tão jovem na aparência e no espírito se deve a uma vida inteira de terapia e ao trabalho voluntário com crianças doentes. Aparecida acabou virando exemplo para as amigas da filha. “Elas me ligam pedindo sugestões de como se vestir”, conta, orgulhosa.

Sidnei Rodrigues
Aparecida sente-se remoçada com a vinda dos netos

A socialite se casou aos 20, foi mãe aos 23 e sua filha, Maria Antônia, teve Rodrigo Irineu aos 19 anos. Nessa segunda geração, muita coisa mudou. “Rodrigo pula em minha cama, coisa que meus filhos nunca fizeram” , exemplifica. “Ter os netos me remoçou muito”, acrescenta. Ex-mulher de Roberto Irineu Marinho, um dos herdeiros das Organizações Globo, Aparecida é presença frequente nas colunas sociais, sempre acompanhada dos melhores partidos, e diz estar sozinha por opção. “Para dividir a vida de novo, só se for com alguém de muita afinidade ou uma grande paixão”, avalia.

A existência dessas vovós modernas se deve a uma mudança social. A psicanalista carioca Teresa Mancini, 56 anos, observa que as mulheres estão muito mais inseridas no mercado de trabalho do que no passado e isso as faz dar mais atenção à realização pessoal e profissional, independentemente da idade, dos filhos e dos netos. Teresa também é avó, dos gêmeos Igor e Joanna, dois anos e sete meses, e de Júlia, de um mês. “O amor que sinto por eles é enriquecedor. Rejuvenesce”, contabiliza.

Renato Velasco
Leilane curte Vitória, de um ano, entre um esporte e outro, a meditação e o namoro

Enxutas – O caso mais espantoso é o da rainha da bateria da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, Mônica Paulo, 33 anos, avó de Christian, de seis meses. Mônica ficou grávida aos 15 anos. “Naquela época não havia diálogo nas famílias”, lembra. Quando a filha, Monique, lhe deu a notícia de que ia ser mãe, aos 17 anos, sua reação também não foi das mais modernas. “No início fiquei perplexa, chocada, mas depois apoiei”, admite. Mônica adora fazer estripulias com Christian. “Avó também serve para deseducar os netos. Fui eu quem lhe ensinou a botar o dedo na boca, acho engraçado”, comenta. Apesar de malhar muito e fazer dieta, ela diz que o segredo da boa forma é outro. “Não tenho inveja de ninguém e estou sempre de bem com a vida”, ensina. Há dois meses, injetou 215 mililitros de silicone nos seios e toma cápsulas de colágeno. Só vai à praia de chapelão, com filtro solar FPS 45 e gaba-se de não ter rugas.

Renato Velasco
Baby empresta suas roupas para Rannah, nove anos, que a chama de Babynha

A inexistência de rugas impressiona em vovós “senhoras”, como a cantora Baby do Brasil, 48 anos, ainda com rosto de garota e espírito irrequieto. Baby foi mãe aos 19 anos e sua filha Sarasheeva teve bebê com a mesma idade. Com seu jeitão esotérico, diz ter vivido uma experiência sobrenatural quando a neta, Rannah Sheeva, nasceu há nove anos. “Houve uma explosão em mim, foi um entendimento de minha parceria com Deus”, acredita a cantora, que até já empresta suas roupas para Rannah Sheeva. “Somos uma família colorida e minha neta curte meu lado criança”, garante. A cantora, que é chamada pela neta de Babynha, mantém a forma com estimulação russa (ginástica passiva com aparelhos) e medicina ortomolecular. Há cinco anos, Baby empinou os seios com silicone e fez lipoaspiração da gordura do joelho e da papada. “As manutenções são uma co-criação com Deus”, prega. De vovozinha todas elas não têm nada. Leilane Barros, 41 anos, avó de Vitória, de um ano, organiza campeonatos internacionais de surfe, bodybording e hípica, corre na areia da praia três vezes por semana, faz ginástica localizada, medita e namora. “Meu segredo é a relação com meu trabalho e com gente jovem que considera a saúde um fator predominante”, diz. 

 

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