| ARTES
& ESPETÁCULOS |
14/03/2001 |
Livros
II
Rei
do sexo
A
vida de um jovem no
submundo de Havana
Luiza
Villaméa
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Gutiérrez:
Charles Bukowski latino
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Dono
de duas pérolas incrustadas na glande, o adolescente Reynaldo
causa furor entre prostitutas e travestis que ganham a vida pelo
Malecón, a avenida beira-mar de Havana, em Cuba. As pérolas
nada têm de preciosas nem de especiais. São bolinhas
de aço, retiradas de rolamentos, que um de seus colegas de
reformatório se especializara em implantar nos órgãos
genitais masculinos. Com a ajuda do exótico aparato, Reynaldo
faz jus ao título do romance O rei de Havana (Companhia
das Letras, 224 págs., R$ 26), do escritor cubano Pedro Juan
Gutiérrez, que tem seu segundo livro lançado no Brasil.
Como
na obra anterior, Trilogia suja de Havana, Gutiérrez
não perde tempo com meias-palavras. Usando frases curtas
e incisivas, ele mostra Reynaldo se destacando entre a escória,
graças a seus atributos sexuais e à completa ausência
de valores. Sem planos, nem para o futuro imediato, o adolescente
só pensa em saciar suas necessidades primárias. Pelos
escombros de prédios que outrora refletiram o luxo e a opulência
da capital cubana, convive basicamente entre sujos e famélicos.
Cenas de afeto até acontecem. Mas são raras.
Ao
mesmo tempo que proporciona prazer pelo texto apurado e pelas personalidades
meticulosamente dissecadas, o romance é impiedoso com a humanidade.
Em alguns momentos, o autor chega a ser escatológico. De
maneira geral, exige que seus leitores tenham estômago forte.
Não à toa ele é apontado como o Charles Bukowski
latino. Os efeitos para a imagem de Cuba também são
devastadores. Embora não haja nenhuma crítica direta
ao regime, Pedro Juan Gutiérrez não hesita em colocar
o dedo na ferida. Em seu horizonte, não há redenção
possível. 
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