| ARTES
& ESPETÁCULOS |
14/03/2001 |
Cinema
Guerra
pura - continuação
Osmar
Freitas jr. – Nova York
| Divulgação |
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Wakefield
(Michael Douglas, ao centro): front antidrogas
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Ao
aceitar o papel, a atriz estava grávida de seu primeiro filho,
Dylan, com o marido Michael Douglas. Coincidentemente, Helena também
está grávida. Esta condição de fragilidade
torna a história ainda mais assustadora, diante da brutalidade
de uma guerra capaz de transformar a mãe de família
numa chefe de quadrilha, disposta a manter a integridade de sua
fortuna. As metamorfoses dos personagens atingem proporções
kafkanianas na família do juiz Robert Wakefield, interpretado
por Michael Douglas. Trata-se de uma figura respeitada nas cortes
federais de justiça. Seu conservadorismo no tratamento da
questão o qualificam para a indicação ao posto
de combatente das drogas dos Estados Unidos. Durante o processo
de familiarização ao cargo, ele se depara com a futilidade
e iniquidade da guerra que vai comandar. O vício está
em toda parte e o juiz só relaxa à custa de uísque.
Sua mulher experimentou drogas na faculdade e a própria
reconhece que foi fundo neste experimento. A filha única
do casal uma estudante exemplar se vicia em crack
e rapidamente desce ao último círculo do inferno reservado
aos junkies.
Soderbergh
tomou emprestados recursos da linguagem televisiva, com segmentos
curtos e foco concentrado. Uma decisão de rara esperteza,
pois conquista ainda mais uma platéia viciada em tevê.
Desse modo, conseguiu balancear ficção e realidade
numa obra extremamente crítica para os padrões hollywoodianos.
Nas últimas duas fitas voltei a ter o entusiasmo dos
amadores que me fora arrancado. Provei para mim mesmo que é
possível me divertir fazendo um filme com conteúdo
mais profundo, diz Soderbergh. A recompensa por seus insights
veio na forma das cinco indicações ao Oscar, entre
elas as de melhor filme, diretor e ator coadjuvante. Seu outro filme,
Erin Brockovich uma mulher de talento, também
na disputa pelo Oscar, ganhou outras cinco indicações.
Para
levar as estatuetas, Traffic terá em Gladiador,
de Ridley Scott, indicado a 12 categorias, um rival com apelos até
agora imbatíveis nas premiações passadas. Trata-se
de um Cecil B. DeMille da era da informática, dirigido a
um público afeito às aventuras truculentas, mas desinteressado
em ver nas telas a brutalidade de seu cotidiano. Traffic
tem trechos desconfortáveis e apresenta o desespero generalizado
nos Estados Unidos na guerra contra as drogas, como disse a ISTOÉ
o roteirista do filme, Stephen Gaghan. Ninguém tem
respostas para o problema. Quem criou o slogan Diga não
às drogas nunca foi viciado. De qualquer modo, a guerra
contra elas não é solução. Tem muita
gente que já caiu vítima do fogo amigo nesta guerra.
Milhares de pessoas sabem que a droga não aceita negativas. 
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