| ARTES
& ESPETÁCULOS |
14/03/2001 |
Guerra
pura
Traffic,
de Steven Soderbergh, forte concorrente ao Oscar de melhor filme,
faz uma desconfortável radiografia do narcotráfico na sociedade
americana
Osmar
Freitas Jr. – Nova York
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Fotos:
Divulgação
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O
ator Benicio Del Toro concorre ao Oscar como ator coadjuvante:
perfeccionismo
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Há
tempos, os Estados Unidos estão envolvidos numa guerra permanente
contra as drogas. Os campos de batalha envolvem desde as selvas
da Colômbia e do Peru, passando pelas montanhas do Afeganistão,
até cidades européias e desertos do México.
Foi surpreendente ver Hollywood, normalmente tão avessa às
questões sérias e apegada apenas ao entretenimento
fácil, trazer à tona novas perspectivas deste conflito.
Com Traffic (Traffic, Estados Unidos, 2000), cartaz nacional
na sexta-feira 16, o diretor Steven Soderbergh não cunhou
soluções imediatistas, mas mostrou que o problema
da guerra contra o tráfico é a própria guerra.
Apresentando um elenco que vai do glamour sexy das estrelas Catherine
Zeta-Jones e seu marido Michael Douglas ao perfeccionismo de Benicio
Del Toro, o filme usa artifícios como a câmera manual
e trêmula. Também apela para os tons sépia e
a ultragranulação para se assemelhar a um documentário.
O resultado é uma urgência de várias histórias
entrelaçadas, que têm o narcotráfico como fio
condutor.
A
história começa apropriadamente em meio ao deserto
mexicano, perto da cidade fronteiriça de Tijuana, uma das
maiores portas de entrada das drogas nos Estados Unidos. Ali, são
apresentados dois elementos básicos da questão: o
policial mexicano Javier Rodriguez Rodriguez (Del Toro), tentando
interromper o fluxo de contrabando, e o general Arturo Salazar (Tomas
Milian), autoridade superior imersa na corrupção.
O personagem do militar, diga-se, é calcado na realidade.
Ele é um ex-czar das drogas do governo do México,
preso ao se descobrir que estava a soldo dos traficantes. Desse
ponto, vai-se montando a imensa máquina da guerra contra
as drogas, cujas engrenagens têm múltiplas peças.
São os dois policiais da Drug Enforcement Agency (DEA), agência
americana de combate às drogas, que perseguem um traficante
da Califórnia. Outra peça fundamental é Helena
Ayala (Catherine Zeta-Jones), dondoca endinheirada e naïf,
que cai na real ao ver seu marido sair de casa algemado e acusado
de ser chefe de uma rede de distribuição de cocaína
nos Estados Unidos.
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