| ARTES
& ESPETÁCULOS |
14/03/2001 |
Cinema
III
Baila
comigo
Billy
Elliot faz uma ode ao vigor da dança
Celso
Fonseca
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Divulgação
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Bell
(ao centro): sapatilhas em vez de luvas de boxe
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Em
seu primeiro longa-metragem, o inglês Stephen Daldry conseguiu
o feito de concorrer ao Oscar de melhor diretor. Sua carreira não
só ganha impulso como faz justiça a um belo filme.
Billy Elliot (Billy Elliot, Inglaterra, 2000), cartaz nacional
na sexta-feira 16, conta a história de um garoto que, em
vez de seguir a vontade do pai e pegar nas luvas de boxe
uma tradição entre os homens da família ,
opta pelas sapatilhas, enfrentando o preconceito no mundo rústico
de uma comunidade de mineradores ingleses, nos anos 80. Daldry,
porém, supera a tentação de fazer um melodrama
apenas sobre os dilemas sexuais juvenis, assunto que aborda com
sutileza. Acima de tudo, seu filme é uma declaração
apaixonada à dança e à vitória do talento
sobre a intolerância. Boa parte da empreitada bem- sucedida
pode ser atribuída à escolha do adolescente Jamie
Bell para o papel-título. Na infância, ele enfrentou
situação semelhante à de seu personagem. Em
vez do boxe, na escola era obrigado a jogar rugby, quando na verdade
queria dançar. Talvez pela identificação com
a arte, Bell dá enorme credibilidade ao esforço de
Billy Elliot que não demonstra nenhum trejeito efeminado
em se tornar bailarino.
Vivendo
no meio de uma família com enormes problemas e purgando a
perda recente da mãe, ele só consegue a plenitude
da expressão de seus sentimentos conturbados dançando
muito. Elliot também quer amenizar o clima opressivo da moralista
vila de mineiros e se esquecer dos tapas do irmão mais velho.
Apoiado por uma professora, o garoto canaliza suas angústias
para uma arte que parece dominá-lo por completo. São
comoventes os momentos nos quais seu pai Tony (Gary Lewis), homem
rude e amargurado, ameaça compreender os desejos do filho.
Stephen Daldry fez um filme vigoroso sem precisar, em nenhum momento,
apelar para o dramalhão. 
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