| ARTES
& ESPETÁCULOS |
14/03/2001 |
Anfitriã
da Fantasia
Dona
de um complexo de bares e restaurantes que faturam R$ 6 milhões
anuais, a esfuziante Lilian Gonçalves continua fazendo jus
ao título de Rainha da Noite
Apoenan
Rodrigues
|
Alex
Soletto
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 |
São
9h30 da terça-feira 6 e a empresária da noite Lilian
Gonçalves surge saltitante no alto da escada de seu escritório
aboletado no andar de cima da matriz do Espetinho Cerveja &
Cia., no bairro de Santa Cecília, zona central de São
Paulo, um dos sete bares e restaurantes que ela mantém em
funcionamento na capital paulista. Nem parece que a também
atriz e cantora havia dormido apenas duas horas. De
calça comprida verde, sandálias de salto alto verdes,
cintilando de strass, e uma blusa colante bordada com lantejoulas
em vários tons de verde, a loira solta um largo sorriso branco
com a disposição de quem desfrutou horas normais de
sono. Quanto menos eu durmo, melhor eu fico, vai logo
dizendo. Estou no ar 20 horas por dia. Quatro horas de sono
são mais que suficientes e ainda assim preciso tomar meio
comprimidinho de Lexotan, porque não consigo apagar. Prefiro
trabalhar 16 horas, assim só tenho oito para gastar.
A
filosofia típica de um Tio Patinhas de saias faz sentido.
À frente de um complexo de diversão e comida, a Rainha
da Noite título dado há anos pela imprensa
e incorporado sem o menor pudor despacha há duas décadas
do mesmo escritório, ausente de glamour e completamente diferente
da sua personalidade esfuziante. O único detalhe que denuncia
quem senta à frente da enorme mesa abarrotada de papéis,
cercada de troféus, prateleiras armazenando bebidas, uma
televisão ligada o tempo todo em silêncio e um circuito
interno de tevê, é o enorme espelho de moldura dourada,
é claro. Adoro espelho, adoro brilho, adoro vida,
repete Lilian com o bom humor de rainha sem as preocupações
inerentes ao poder político. Sua felicidade não se
restringe à vaidade de reinar absoluta na noite paulistana.
Dentro de São Paulo não tem ninguém que
administre sozinha como eu, afirma. Todo final de ano, sorridente,
a cidadã Lilian Gonçalves Lima fecha um faturamento
de R$ 6 milhões. Dinheiro na minha mão vira
ouro.
E
como! Em 30 anos, desde que saiu de Brasília fugida da família,
esta mineira de Garapuava já foi proprietária de 14
bares e restaurantes, dez deles funcionando ao mesmo tempo. Nunca
fui dona de boate, pelo amor de Deus, não tenho nada a ver
com o submundo, frisa. Hoje, comanda com pulso de ferro sete
casas que empregam 375 funcionários e fazem rodar a média
mensal de 84 mil cervejas, mil garrafas de uísque e cerca
de 36 mil espetinhos, especialidade de dois de seus restaurantes.
O Chacrinha me chamava de latifundiária da noite. Nasci
com a tendência de mexer com dinheiro e vim a São Paulo
para vencer, trombeteia. Vencer é um verbo que, numa
conversa mais longa com Lilian, ouve-se pelo menos uma dezena de
vezes. Fiz a faculdade da vida, sou catedrática em
todas as matérias. O único curso que não fiz
foi o de perdedora. Tamanha segurança, a então
jovem mulher já mostrava quando chegou decidida em São
Paulo. Nem bem desceu do ônibus na antiga rodoviária
central e, de mala na mão, viu um restaurante com anúncio
pedindo garçonetes. Deu sorte e conseguiu o emprego. Eu,
magrinha, cabelo liso, morena, um corpinho que era uma coisa, causei
boa impressão, conta a hoje loira Lilian, 45, 50 ou
52 anos, ninguém sabe ao certo.
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