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Durante
boa parte de sua vida, Mário Covas, 70 anos, precisou
driblar várias doenças. Em 1987, teve pela segunda
vez um infarto, possivelmente provocado pelo cigarro. Fez
uma operação, na qual foram implantadas duas
pontes de safena e uma mamária no coração.
Seis anos depois, passou por cirurgia para retirar a vesícula
biliar inflamada. Já em 1994, foi internado com infecção
bacteriana de pele (erisipela) na perna direita, ocorrida
por causa da retirada da veia safena para o tratamento de
1987. No ano seguinte, o mesmo problema voltou. Há
quatro anos, Covas apresentou herpes-zoster, que provocou
feridas em sua testa. Esse mal surge por causa da queda das
defesas do organismo. Porém, nenhuma das doenças
trouxe tantos prejuízos à saúde do político
como o aparecimento do câncer de bexiga infiltrativo,
que penetra no músculo do órgão. Esse
é um dos tipos mais agressivos e foi detectado em 1998
durante uma cirurgia para a retirada de um tumor benigno na
próstata. Na operação, foram removidas
a próstata, as vesículas seminais, onde é
produzido o sêmen, e a bexiga (reconstruída com
tecidos do intestino). Depois, Covas fez cinco meses de quimioterapia
para tentar reduzir as chances de o tumor voltar. O risco
de isso acontecer pode chegar a até 60%. Apesar das
tentativas, após dois anos o câncer reapareceu
no reto (parte final do intestino), que foi removido. Covas
fez uma colostomia - técnica na qual é criado
um desvio no cólon para o paciente poder evacuar. Durante
a operação, também foram encontradas
células tumorais no intestino delgado. O tumor foi
retirado.
No início deste ano, os médicos utilizaram a
imunoterapia - técnica experimental baseada no uso
de anticorpos para aumentar as defesas do organismo - com
o objetivo de conter o avanço da doença. Mesmo
assim não foi possível. No dia 10 de janeiro,
Covas apresentou problemas de fala, de locomoção
e dores de cabeça. Dois dias depois, a imunoterapia
foi suspensa para avaliar os reais motivos que estavam causando
essas manifestações.
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