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 POLÍTICA 08/03/2001
História continua...

As lutas de Covas - continuação

Adriana Souza Silva e Florência Costa

 

Um herdeiro ideal
Max G. Pinto
Alckmin: sem polêmicas

Ines Garçoni

"Sai de trás do Covas e vem para a frente das câmeras!”, gritam os assessores do governo para Geraldo Alckmin durante as inaugurações de obras. “É preciso implorar para que ele apareça ao lado do governador nas andanças pelo Estado”, conta um deles. A postura poderia ser associada à subserviência, omissão e falta de iniciativa. Mas Alckmin ganhou admiração ficando à sombra do governador licenciado: “É respeito e fidelidade que ele tem pelo Covas. É o vice dos sonhos”, diz outro assessor. Na bem-sucedida candidatura à prefeitura da capital no ano passado – arrancou com 2% das intenções de voto e chegou em terceiro lugar, com 17,2% –, marcou pela imagem de bom moço, pai de família exemplar e administrador experiente. Em Pindamonhangaba, cidade a 140 quilômetros da capital, foi eleito vereador aos 19 anos, quando ainda estudava medicina, e prefeito aos 24. Foi também deputado estadual e federal. Até a oposição o respeita. “Ele é competente, habilidoso e tranquilo. Conheço seu trabalho como deputado e sei que o debate com ele se dá em nível elevado”, diz o deputado José Genoíno (PT-SP), que pode ser seu adversário na disputa pelo governo do Estado em 2002.

Exceto o respeito que têm dos opositores, Alckmin e Covas possuem poucas semelhanças. Covas é enfezado e paga para não sair de uma briga. Já Alckmin dificilmente será visto metido em confusões. A única vez que bateu boca publicamente foi em julho do ano passado, com os professores da rede estadual – a exemplo de Covas, que fez isso diversas vezes. Mesmo assim, depois da discussão, o estilo pacificador falou mais alto: cumprimentou os manifestantes, o que seu padrinho talvez não fizesse. “São opostos. É a diferença brutal entre o mineiro e o galego”, diz o secretário de Comunicação do Estado, Osvaldo Martins, comparando as origens mineira, de Alckmin, e espanhola, de Covas.

Por enquanto, os ventos sopram a favor. Depois de surpreender nas eleições para prefeito, Alckmin tornou-se um dos principais nomes do PSDB no Estado, embora sua candidatura em 2002 continue sendo uma incógnita jurídica (leia ao lado). Com a imagem de herdeiro político de Covas, só tem a ganhar junto ao tucanato e, mais importante, ao eleitorado. É claro que, na linha de frente, os riscos de se arranhar são maiores, embora tenha ainda dois anos de gestão e esteja com as contas saneadas, o que facilita investimentos. O calcanhar de Aquiles do governo paulista continua sendo a segurança. Desde que assumiu o cargo, com o afastamento de Covas em 22 de janeiro último, Alckmin enfrentou sua primeira prova de fogo há duas semanas ao encarar uma rebelião simultânea em 24 presídios do Estado. Mas a oposição aprovou o desempenho do tucano. “Poderia ter sido evitada, mas o desfecho foi satisfatório porque impediu um massacre como o do Carandiru em 1992”, avalia Genoíno.

Batalha jurídica para ser candidato

Madi Rodrigues

Geraldo Alckmin pode ou não ser candidato a governador na eleição de 2002? Especialistas em direito eleitoral interpretam de modo diverso o parágrafo 5º do artigo 14 da Constituição que permitiu a reeleição. Para o jurista Celso Ribeiro Bastos o texto legal não se refere a um terceiro mandato. “Alckmin não pode ser candidato ao próximo pleito. Ele já está na segunda metade de um segundo mandato e não pode ter o terceiro.” O constitucionalista Paulo Adib Casseb rebate Celso Bastos: “Ele não ficará inelegível. Poderá concorrer em 2002, mas não em 2006.” Para Casseb, tanto em 1994 quanto em 1998 Alckmin não foi candidato a governador, mas a vice. “Não importa que tenha substituído porque a função do vice é substituir, o que importa é que não foi titular do cargo.” Para Casseb, a corrente de Bastos analisa a questão sob o enfoque da chapa una e indivisível. “A chapa una e indivisível se refere a um momento eleitoral e não ao pós-eleitoral.” O advogado Carlos Ely Eluf vai além: “Ele poderá concorrer em 2002 e em 2006. Hoje, ele está exercendo um mandato temporário, suprindo apenas uma lacuna.”

 


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