| Max
G. Pinto |
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Alckmin: sem polêmicas |
Ines
Garçoni
"Sai
de trás do Covas e vem para a frente das câmeras!,
gritam os assessores do governo para Geraldo Alckmin durante
as inaugurações de obras. É preciso
implorar para que ele apareça ao lado do governador
nas andanças pelo Estado, conta um deles. A postura
poderia ser associada à subserviência, omissão
e falta de iniciativa. Mas Alckmin ganhou admiração
ficando à sombra do governador licenciado: É
respeito e fidelidade que ele tem pelo Covas. É o vice
dos sonhos, diz outro assessor. Na bem-sucedida candidatura
à prefeitura da capital no ano passado arrancou
com 2% das intenções de voto e chegou em terceiro
lugar, com 17,2% , marcou pela imagem de bom moço,
pai de família exemplar e administrador experiente.
Em Pindamonhangaba, cidade a 140 quilômetros da capital,
foi eleito vereador aos 19 anos, quando ainda estudava medicina,
e prefeito aos 24. Foi também deputado estadual e federal.
Até a oposição o respeita. Ele
é competente, habilidoso e tranquilo. Conheço
seu trabalho como deputado e sei que o debate com ele se dá
em nível elevado, diz o deputado José
Genoíno (PT-SP), que pode ser seu adversário
na disputa pelo governo do Estado em 2002.
Exceto o respeito que têm dos opositores, Alckmin e
Covas possuem poucas semelhanças. Covas é enfezado
e paga para não sair de uma briga. Já Alckmin
dificilmente será visto metido em confusões.
A única vez que bateu boca publicamente foi em julho
do ano passado, com os professores da rede estadual
a exemplo de Covas, que fez isso diversas vezes. Mesmo assim,
depois da discussão, o estilo pacificador falou mais
alto: cumprimentou os manifestantes, o que seu padrinho talvez
não fizesse. São opostos. É a diferença
brutal entre o mineiro e o galego, diz o secretário
de Comunicação do Estado, Osvaldo Martins, comparando
as origens mineira, de Alckmin, e espanhola, de Covas.
Por enquanto, os ventos sopram a favor. Depois de surpreender
nas eleições para prefeito, Alckmin tornou-se
um dos principais nomes do PSDB no Estado, embora sua candidatura
em 2002 continue sendo uma incógnita jurídica
(leia ao lado). Com a imagem de herdeiro político de
Covas, só tem a ganhar junto ao tucanato e, mais importante,
ao eleitorado. É claro que, na linha de frente, os
riscos de se arranhar são maiores, embora tenha ainda
dois anos de gestão e esteja com as contas saneadas,
o que facilita investimentos. O calcanhar de Aquiles do governo
paulista continua sendo a segurança. Desde que assumiu
o cargo, com o afastamento de Covas em 22 de janeiro último,
Alckmin enfrentou sua primeira prova de fogo há duas
semanas ao encarar uma rebelião simultânea em
24 presídios do Estado. Mas a oposição
aprovou o desempenho do tucano. Poderia ter sido evitada,
mas o desfecho foi satisfatório porque impediu um massacre
como o do Carandiru em 1992, avalia Genoíno.
Batalha
jurídica para ser candidato
Madi Rodrigues
Geraldo
Alckmin pode ou não ser candidato a governador na eleição
de 2002? Especialistas em direito eleitoral interpretam de
modo diverso o parágrafo 5º do artigo 14 da Constituição
que permitiu a reeleição. Para o jurista Celso
Ribeiro Bastos o texto legal não se refere a um terceiro
mandato. Alckmin não pode ser candidato ao próximo
pleito. Ele já está na segunda metade de um
segundo mandato e não pode ter o terceiro. O
constitucionalista Paulo Adib Casseb rebate Celso Bastos:
Ele não ficará inelegível. Poderá
concorrer em 2002, mas não em 2006. Para Casseb,
tanto em 1994 quanto em 1998 Alckmin não foi candidato
a governador, mas a vice. Não importa que tenha
substituído porque a função do vice é
substituir, o que importa é que não foi titular
do cargo. Para Casseb, a corrente de Bastos analisa
a questão sob o enfoque da chapa una e indivisível.
A chapa una e indivisível se refere a um momento
eleitoral e não ao pós-eleitoral. O advogado
Carlos Ely Eluf vai além: Ele poderá concorrer
em 2002 e em 2006. Hoje, ele está exercendo um mandato
temporário, suprindo apenas uma lacuna.
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