| Ricardo
Stuckert |
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| Eduardo
Jorge pode virar CPI: “O problema dele é o sigilo telefônico”
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Eduardo
Jorge
Guilherme
Schelb: O Ministério Público tem vários
recursos de investigação, como gravações
telefônicas e depoimentos na procuradoria...
Fernando César Mesquita: Hoje, o Ministério
Público na Amazônia está investigando
várias denúncias de corrupção
na Sudam, não é isso? E
no meio dessas investigações descobriu, pois
pegou um empresário que, nas gravações
telefônicas, fala de roubalheiras de políticos.
No meio tinha o Eduardo Jorge.
ACM: Os dados que vocês receberam pra
pegar o Eduardo Jorge estão incompletos. Se quebrar
os sigilos, vai chegar ao governo, ao presidente.
Schelb: O sr. disse que o governo não
resiste se quebrados os sigilos...
ACM: Os sigilos nos serviços públicos.
Schelb: O sr. quer dizer quebrar os sigilos...
Fernando César:
telefônicos
do Eduardo Jorge.
Schelb: De 94 para cá?
ACM: Em 94, já no Ministério da
Fazenda, antes de assumir o governo.
Luiz Francisco: Na época da campanha,
então?
ACM: O Nicolau já fazia contatos.
Schelb: Na Secretaria-Geral também, né?
Fernando César: O problema dele é
o sigilo telefônico, mais do que o bancário.
Arapongas
ACM: Essa gravação de corrupção
dos deputados (José Lourenço, que trocou o PFL
pelo PMDB baiano, e Jonival Luccas, ex-deputado)
está
na cara que as vozes são deles. O grampo tem valor.
Não tem nada mais digno de credibilidade do que uma
voz.
Luiz Francisco: Mas os grampos precisam ser autorizados
para ter valor legal.
ACM: Enquanto ministro, nunca mandei fazer esse
tipo de investigação. O SNI botava militares
como operários, vestidos de macacão, dentro
da Telefônica para fazer a escuta.
Guilherme Schelb: Hoje o que temos é uma
estrutura fora do controle (Abin).
Propina
ACM: Um empresário de Mato Grosso foi
na minha casa, chorou e disse que pagava propina para o Jader
Barbalho (presidente do Senado).
Luiz Francisco: Ele deixou provas com o sr.?
ACM: Não. O cara do Ministério
Público estadual lá do Pará fez sumir
os cheques que incriminavam o Jader. O banco, que era o Itaú,
passou tudo para o Banco Central, mas as provas eles só
me dão se eu entrar com uma ação popular
ou uma CPI. Eu acho que esse processo até já
prescreveu.
Eliane: O processo pode até prescrever,
mas a aplicação do dinheiro ele teria que devolver.
ACM: Mas não devolveu. E, mesmo sabendo
desses casos de corrupção, o governo participou
da operação para ajudar o Jader.
Banco
Marka e FonteCidam
Guilherme Schelb: Toda vez que um órgão
federal fiscaliza as atividades, há uma omissão
desse órgão, que tem sede em Brasília...
Então, o Banco Central, onde foi a fraude da BMF com
o Banco Marka e FonteCidam?
ACM: A fraude está lá em São
Paulo.
Schelb: Não. Foi no Banco Central
as decisões foram tomadas aqui...
Fernando César: É sempre assim
o pessoal da BMF liga para cá
ACM: ...E o governo tem que abafar. DNER
Luiz Francisco: O sr. tem que entrar com uma
Ação Cautelar Preparatória da Ação
Popular...
ACM: É. Eu vou provocar, acusar.
Eu tenho uma estratégia. Vou acusar
e ele vai me interpelar. Aí eu vou confirmar que o
chamei de Eliseu Quadrilha. Ele me processa e eu peço
a exceção da verdade.
Tocantins
Eliana Torelly: Lá em Tocantins o negócio
é pesado. Tem até kit para fraudar licitações...
ACM: É, lá em Tocantins o Jader
está todo enrolado com o Siqueira. Tudo o que tem de
irregularidade lá o Jader tá junto.
Luiz Estevão
ACM: Vou dizer aqui para vocês, a Heloísa
Elena (senadora do PT-AL) votou a favor do Luiz Estevão.
Votou a pedido do Renan Calheiros (senador do PMDB-AL). Depois
ela disse que não votou, xingou
Eu tenho a lista
de todo mundo que votou a favor e contra o Luiz Estevão.
Fernando César: Mas isso não se
pode falar. Tem que tomar cuidado. Ele pode querer anular
e vai dizer que o sr. quebrou o sigilo da votação.
ACM: Anistiar o Luiz Estevão? Aí
quebra o Senado... tem a opinião pública.
Prodasen e Serpro
Guilherme Schelb: O Luiz Estevão e o Eduardo
Jorge estão querendo indicar o novo presidente do Prodasen
(Serviço de Processamento de Dados do Senado Federal).
ACM: Me dá o nome dele
Schelb: Nílton Rabelo. Ele trabalhou com
Eduardo Jorge, foi chefe de gabinete do Luiz Estevão
e está envolvido diretamente com a fraude no Serpro
(Serviço de Processamento de Dados do Senado Federal).
Eliana Torelly: Ele tem um currículo e
tanto.
Schelb: Na apuração do esquema
do Serpro, nós quebramos os sigilos dele, do Sérgio
Otero, de várias pessoas e de um grupo de empresas
que estão na fogueira.
Supremo
Tribunal Federal
ACM: Quem fez a Ellen (ministra Ellen Gracie
Northfleet, do STF, que concedeu liminar tirando da assembléia
baiana o poder de investigar irregularidades na Companhia
Docas da Bahia) foi o Jobim (ex-ministro da Justiça
e também do STF). Mas, denunciar isso é impossível.
Essa é a nossa Justiça. Joga por terra tudo,
tudo!! Uma firma beneficiada nas irregularidades tem ligação
com o escritório do Jobim e do Padilha (ministro dos
Transportes). Eles são sócios.
Fernando César: Na época da CPI
do Judiciário chegaram mais de seis mil denúncias,
algumas contra os ministros do STF. Mas tivemos que concentrar
forças no Nicolau, senão abria muito o leque.
Fernando
César Mesquita sobre
sua atuação na CPI do Judiciário
Tenho toda a documentação do dinheiro
e do sigilo bancário de Luiz Estevão. As ligações
do Nicolau, aquela coisa toda. Todo o sigilo bancário
e telefônico dele eu diariamente vazava para a imprensa.
Tinha gente dele lá dentro da CPI do Judiciário,
eu pegava tudo escondido.
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