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 POLÍTICA 02/03/2001
CAPA continua...

Fisgado pela voz - continuação

Andrei Meireles, Mario Simas Filho e Mino Pedrosa

“O Nicolau fazia contatos desde 94”

Ricardo Stuckert
Eduardo Jorge pode virar CPI: “O problema dele é o sigilo telefônico”

Eduardo Jorge

Guilherme Schelb: “O Ministério Público tem vários recursos de investigação, como gravações telefônicas e depoimentos na procuradoria...”
Fernando César Mesquita: “Hoje, o Ministério Público na Amazônia está investigando várias denúncias de corrupção na Sudam, não é isso?
E no meio dessas investigações descobriu, pois pegou um empresário que, nas gravações telefônicas, fala de roubalheiras de políticos. No meio tinha o Eduardo Jorge.”
ACM: “Os dados que vocês receberam pra pegar o Eduardo Jorge estão incompletos. Se quebrar os sigilos, vai chegar ao governo, ao presidente.”
Schelb: “O sr. disse que o governo não resiste se quebrados os sigilos...
ACM: “Os sigilos nos serviços públicos.”
Schelb: “O sr. quer dizer quebrar os sigilos...”
Fernando César: …“telefônicos do Eduardo Jorge.”
Schelb: “De 94 para cá”?
ACM: “Em 94, já no Ministério da Fazenda, antes de assumir o governo.”
Luiz Francisco: “Na época da campanha, então?”
ACM: “ O Nicolau já fazia contatos.”
Schelb: “Na Secretaria-Geral também, né?”
Fernando César: “O problema dele é o sigilo telefônico, mais do que o bancário.”

Arapongas

ACM: “Essa gravação de corrupção dos deputados (José Lourenço, que trocou o PFL pelo PMDB baiano, e Jonival Luccas, ex-deputado)… está na cara que as vozes são deles. O grampo tem valor. Não tem nada mais digno de credibilidade do que uma voz.”
Luiz Francisco: “Mas os grampos precisam ser autorizados para ter valor legal.”
ACM: “Enquanto ministro, nunca mandei fazer esse tipo de investigação. O SNI botava militares como operários, vestidos de macacão, dentro da Telefônica para fazer a escuta.”
Guilherme Schelb: “Hoje o que temos é uma estrutura fora do controle (Abin).”

Propina

ACM: “Um empresário de Mato Grosso foi na minha casa, chorou e disse que pagava propina para o Jader Barbalho (presidente do Senado).”
Luiz Francisco: “Ele deixou provas com o sr.?”
ACM: “Não. O cara do Ministério Público estadual lá do Pará fez sumir os cheques que incriminavam o Jader. O banco, que era o Itaú, passou tudo para o Banco Central, mas as provas eles só me dão se eu entrar com uma ação popular ou uma CPI. Eu acho que esse processo até já prescreveu.”
Eliane: “O processo pode até prescrever, mas a aplicação do dinheiro ele teria que devolver.”
ACM: “Mas não devolveu. E, mesmo sabendo desses casos de corrupção, o governo participou da operação para ajudar o Jader.”

Banco Marka e FonteCidam

Guilherme Schelb: “Toda vez que um órgão federal fiscaliza as atividades, há uma omissão desse órgão, que tem sede em Brasília... Então, o Banco Central, onde foi a fraude da BMF com o Banco Marka e FonteCidam?”
ACM: “A fraude está lá em São Paulo.”
Schelb: “Não. Foi no Banco Central… as decisões foram tomadas aqui...”
Fernando César: “É sempre assim… o pessoal da BMF liga para cá…”
ACM: “...E o governo tem que abafar.” DNER
Luiz Francisco: “O sr. tem que entrar com uma Ação Cautelar Preparatória da Ação Popular...”
ACM: “É. Eu vou provocar, acusar.
Eu tenho uma estratégia. Vou acusar
e ele vai me interpelar. Aí eu vou confirmar que o chamei de Eliseu Quadrilha. Ele me processa e eu peço a exceção da verdade.”

Tocantins

Eliana Torelly: “Lá em Tocantins o negócio é pesado. Tem até kit para fraudar licitações...”
ACM: “É, lá em Tocantins o Jader está todo enrolado com o Siqueira. Tudo o que tem de irregularidade lá o Jader tá junto.”

Luiz Estevão

ACM: “Vou dizer aqui para vocês, a Heloísa Elena (senadora do PT-AL) votou a favor do Luiz Estevão. Votou a pedido do Renan Calheiros (senador do PMDB-AL). Depois ela disse que não votou, xingou… Eu tenho a lista de todo mundo que votou a favor e contra o Luiz Estevão.”
Fernando César: “Mas isso não se pode falar. Tem que tomar cuidado. Ele pode querer anular e vai dizer que o sr. quebrou o sigilo da votação.
ACM: “Anistiar o Luiz Estevão? Aí quebra o Senado... tem a opinião pública.”

Prodasen e Serpro

Guilherme Schelb: “O Luiz Estevão e o Eduardo Jorge estão querendo indicar o novo presidente do Prodasen (Serviço de Processamento de Dados do Senado Federal).”
ACM: “Me dá o nome dele…”
Schelb: “Nílton Rabelo. Ele trabalhou com Eduardo Jorge, foi chefe de gabinete do Luiz Estevão e está envolvido diretamente com a fraude no Serpro (Serviço de Processamento de Dados do Senado Federal).”
Eliana Torelly: “Ele tem um currículo e tanto.”
Schelb: “Na apuração do esquema do Serpro, nós quebramos os sigilos dele, do Sérgio Otero, de várias pessoas e de um grupo de empresas que estão na fogueira.”

Supremo Tribunal Federal

ACM: “Quem fez a Ellen (ministra Ellen Gracie Northfleet, do STF, que concedeu liminar tirando da assembléia baiana o poder de investigar irregularidades na Companhia Docas da Bahia) foi o Jobim (ex-ministro da Justiça e também do STF). Mas, denunciar isso é impossível. Essa é a nossa Justiça. Joga por terra tudo, tudo!! Uma firma beneficiada nas irregularidades tem ligação com o escritório do Jobim e do Padilha (ministro dos Transportes). Eles são sócios.”
Fernando César: “Na época da CPI do Judiciário chegaram mais de seis mil denúncias, algumas contra os ministros do STF. Mas tivemos que concentrar forças no Nicolau, senão abria muito o leque.”

Fernando César Mesquita sobre
sua atuação na CPI do Judiciário

“Tenho toda a documentação do dinheiro e do sigilo bancário de Luiz Estevão. As ligações do Nicolau, aquela coisa toda. Todo o sigilo bancário e telefônico dele eu diariamente vazava para a imprensa. Tinha gente dele lá dentro da CPI do Judiciário, eu pegava tudo escondido.”


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