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 POLÍTICA 02/03/2001
CAPA continua...

Fisgado pela voz - continuação

Andrei Meireles, Mario Simas Filho e Mino Pedrosa

Sociólogo ditador

Sem espaço para se reconciliar com o poder, ao qual se apega há quase cinco décadas, ACM está sendo forçado a vestir um novo figurino político, o de oposição. “Não vou me curvar a um sociólogo ditador”, esbravejou em entrevista ao jornalista Sérgio Rondino, da TV Bandeirantes, a propósito da pretensão de FHC de apresentar um programa de governo para seus dois últimos anos de mandato e exigir fidelidade absoluta da base governista. Com essa postura, o cacique baiano espera contar com uma mãozinha das oposições para não perder a cadeira no Senado. Na quinta-feira 1, ele conseguiu respirar com a desistência das oposições em propor a cassação de seu mandato, sob a alegação de que vai centrar fogo – com a ajuda do próprio ACM – na criação de uma CPI para investigar as denúncias contra Eduardo Jorge. “Se o PT decidir fazer o jogo do ACM, não conte com o PPS, que vai sair do bloco”, discordou o presidente do partido, senador Roberto Freire (PE), que, com o aparecimento da fita de Luiz Francisco, vai insistir no pedido de cassação de Antônio Carlos.

Primeiros resultados

A degravação obtida por ISTOÉ é apenas a primeira etapa do processo de perícia na fita gravada por Luiz Francisco. Ela ainda tem trechos inaudíveis e vozes sobrepostas das secretárias do procurador que estavam na sala onde o gravador foi colocado. “Com novas filtragens poderemos aumentar ainda mais a nitidez chegando a recuperar quase 90% de todo o material”, assegura o perito Molina. Ele espera concluir seu trabalho até o final da próxima semana, quando poderá emitir um laudo definitivo. “Já está muito claro que não houve nenhum tipo de edição e que as vozes são mesmo dos procuradores, do senador e de seu assessor”, antecipa. O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), vai encaminhar um ofício a Molina requisitando cópia da fita e o laudo. Outra providência será convocar os três procuradores que conversaram com ACM. Será o começo de uma investigação que pode resultar no fim da carreira política do coronel baiano. 

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