Fisgado pela voz - continuação
Andrei
Meireles, Mario Simas
Filho e Mino Pedrosa
Eliana
Torelly não se limitou a dar um sumiço nas duas fitas.
Junto com Schelb, divulgou uma nota em que afirmam não terem
conhecimento de supostas gravações clandestinas
e desautorizam o vazamento da conversa com ACM. Fizeram mais. Alegaram
um acordo com o senador baiano para que a conversa fosse mantida
em sigilo. A história não foi bem assim. Primeiro,
Luiz Francisco nega a existência de qualquer acerto prévio
com o cacique baiano. Depois, Schelb e Eliana sabiam do que estava
sendo feito e Antônio Carlos desconfiava. Ao se despedir dos
procuradores, o senador percebeu um volume no bolso interno do paletó
de Schelb e o apalpou para se certificar de que não se tratava
de um gravador. Fiquei assustado. Ainda bem que ele foi em
cima de mim. Se ele vai no Luiz, ia dar um rolo danado, comentou
Schelb logo depois da reunião. Arrependido de ter entregue
as gravações, Luiz Francisco não esperava que
a fita inaudível fosse transformar-se em sua
tábua de salvação e na mais pesada munição
contra ACM. Não dá para prever o desfecho do mal-estar
instalado entre os procuradores, mas a crise detonada pela metralhadora
giratória de Antônio Carlos já fez suas primeiras
vítimas.
Menos
de 24 horas depois de a última edição de ISTOÉ
chegar às bancas, com uma canetada Fernando Henrique demitiu
os ministros da Previdência Social, Waldeck Ornelas, e das
Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, dois fiéis pupilos do
senador baiano. Começou ali uma temporada de caça
ao feudo carlista no governo federal em que ACM mantém outros
29 apadrinhados, entre eles os presidentes da Eletrobrás,
Firmino Sampaio, do INSS, Crésio Rolim, e da Dataprev, Ramon
Barreto. Ao mesmo tempo que varre o carlismo do governo, FHC afaga
o chamado PFL do B, a ala do partido comandada pelo vice-presidente,
Marco Maciel, e o senador Jorge Bornhausen (SC), que rompeu com
ACM e permanece fiel ao Palácio do Planalto. Dessa corrente
sairão os novos ministros da cota pefelista. Entre outros,
estão no páreo o senador José Jorge (PE) e
os deputados Eliseu Resende (MG) e José Carlos Fonseca (ES).
Contra Resende pesa o fato de ele ter deixado o Ministério
da Fazenda no governo Itamar Franco depois de ter sido acusado de
receber favores de uma empreiteira. Já Fonseca sofre restrições
no Palácio do Planalto por causa de seu empenho para evitar
que o presidente da Assembléia Legislativa do Espírito
Santo, deputado José Carlos Gratz, indiciado pela CPI do
Narcotráfico, fosse expulso do PFL.
| Leopoldo
Silva |
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| Luiz
Estevão: de olho no deslize de ACM para voltar ao Senado |
Com
a mexida no naco pefelista de poder e outras mudanças no
Ministério, Fernando Henrique aposta que o PFL no próximo
dia 8 vai decidir permanecer na base governista e isolar ACM. De
Miami, onde se refugiou assim que a crise pipocou, Antônio
Carlos passou a fazer disparos contra o governo. Em seu estilo habitual,
ameaçou com a divulgação de novas denúncias
contra o governo, com insinuações de que dispõe
de munição pesada para atacar o processo de privatização
e o próprio Fernando Henrique. Como blefa muito, desta vez
ACM só encontrará eco se mostrar provas concretas
de suas acusações. No Palácio do Planalto,
a expectativa é de que, em vez de bater, Antônio Carlos
terá de cuidar de sua própria defesa. A começar
pelas confissões feitas aos procuradores da República.
Na maratona de entrevistas que concedeu na Flórida, o senador
baiano não conseguiu dar uma explicação convincente
para o que revelou aos procuradores. Eu tenho uma lista de
quem votou a favor e contra a cassação do Luiz Estevão.
Não por violar o painel de votação, mas por
dedução, tentou se justificar.
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