CAPA
ACM segue na berlinda
O senador do PFL corre o risco de ter seu mandato
cassado
Isabela
Abdala
| Fotos:
André Dusek |
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| Peritos
dizem que painel pode ter sido violado |
A trajetória
ladeira abaixo do senador Antônio Carlos Magalhães
(PFL-BA) parece não ter fim. Depois de amargar a maior derrota
de sua vida na eleição do Senado, levar o PFL à
bancarrota e perder dois ministérios no governo (Previdência
e Minas e Energia), o senador não está livre de ser
cassado por quebra de decoro parlamentar. Seu alívio com
o recuo dos partidos de oposição no pedido de cassação
do seu mandato, na manhã de quarta-feira 28, durou até
a visita de técnicos da Universidade de Campinas (Unicamp)
ao Senado. Isso porque eles constataram que o painel eletrônico
de votações pode ter sido violado. Conforme publicou
ISTOÉ na última edição, ACM confessou
aos procuradores da República Luiz Francisco de Souza, Guilherme
Schelb e Eliana Torelly que guarda uma lista com o voto secreto
dos senadores na sessão que cassou o mandato do senador Luiz
Estevão, o que significaria que houve violação
no programa-mãe do painel. Representantes de todos os partidos
vão acompanhar a investigação dos peritos.
Quero evitar que se diga que houve qualquer postura tendenciosa
na apuração, explicou o presidente do Senado,
Jader Barbalho (PMDB-PA).
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“Não
quero que digam que houve postura tendenciosa na apuração”
Jader Barbalho |
Outras
evidências aumentam as suspeitas em torno do crime. Um mês
antes da votação secreta que cassou Luiz Estevão,
em junho de 2000, o Senado rompeu o contrato com a empresa Kopp
Companhia Ltda., responsável pela implantação
e manutenção do sistema eletrônico. Funcionários
do Senado contam que a empresa foi comunicada, sem explicações,
de que, a partir de 15 de maio, não prestaria mais serviços
à instituição. Em caráter de urgência
e sem licitação, foi contratada a Panavídeo
Tecnologia Eletrônica. Acusada por ACM de ter votado a favor
de Luiz Estevão, a senadora Heloísa Helena (PT-AL)
não descarta a hipótese de que seu voto possa ter
sido alterado. Tenho recebido informações de
especialistas em informática que dizem que isso é
possível, disse a senadora, garantindo que votou contra
Luiz Estevão.
Na
próxima terça-feira 6, ela vai exigir explicações
de ACM no plenário, além de pedir uma acareação
do senador com o procurador Luiz Francisco. Entre a palavra
desse pusilânime e a do procurador, eu fico com a do procurador.
Mas tenho certeza de que na hora certa os restos mortais dessas
fitas vão aparecer e vamos ter a prova de que precisamos
para pedir sua cassação, afirmou a senadora.
Apesar de sua fúria, o PT decidiu concentrar esforços
na instalação de uma CPI para apurar denúncias
de corrupção no governo FHC, desistindo de tentar
cassar o mandato de ACM. De Miami (EUA), onde passou o Carnaval,
ACM tentou acertar o acordo com o PT, anunciando que vai assinar
o pedido de CPI, cujo principal alvo é o ex-secretário-geral
da Presidência Eduardo Jorge Caldas. Aos procuradores, ACM
disse que impediu as apurações sobre Eduardo Jorge
no Senado, a serviço do governo. 
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