| MEDICINA
& BEM ESTAR |
08/03/2001 |
Fertilidade
Nova
geração
Estudo feito no Brasil pode criar técnica para se
obter óvulos em laboratório
Eduardo
Marini
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| Uma
parte do núcleo do óvulo é aspirada |
Os
resultados de uma pesquisa desenvolvida no Brasil poderão
renovar as esperanças de um grupo de mulheres que luta para
ter um filho. A meta dos dois autores do estudo, o belga Peter Nagy,
diretor científico do Centro de Reprodução
Humana Roger Abdelmassih, e o especialista tcheco Jan Tesarik, é
criar, pela primeira vez, uma técnica segura para o desenvolvimento
de óvulos em laboratório a partir de células
retiradas de outras partes do corpo da mulher. Hoje, centros sofisticados
conseguem transformar células primordiais, aquelas ainda
não amadurecidas do ovário, em óvulos. O
novo estudo, se for confirmado cientificamente, permitirá
que mulheres sem óvulos ou células primordiais possam
ter células reprodutoras, explica Peter Nagy.
| A
EXPERIÊNCIA PASSO A PASSO |
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| CLIQUE
NA IMAGEM PARA VER AMPLIADO |
As
células do corpo humano possuem núcleo diplóide,
ou seja, com 46 cromossomos. Esta carga é formada pela combinação
das características da mãe e do pai. As únicas
exceções são o óvulo e o espermatozóide,
que possuem núcleos haplóides, com 23 cromossomos.
As experiências com vacas são realizadas com o apoio
do veterinário José Antônio Vizentin, da Universidade
de São Paulo (USP). Uma célula normal, com carga genética
de 46 cromossomos, é retirada de uma parte do corpo da vaca
que será a mãe. O núcleo desta célula
é colocado no citoplasma (meio de nutrientes que sustenta
o núcleo celular) de outro óvulo, tomado de uma vaca
doadora.
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Nagy no laboratório |
Na
segunda etapa, o núcleo com a carga da mãe divide-se
em duas partes geneticamente idênticas, com 23 cromossomos.
Uma das partes é aspirada do núcleo da célula
com uma microagulha, dando origem a um óvulo (leia quadro).
Peter Nagy diz que obteve um embrião humano com a técnica.
Está congelado. Não foi implantado. Ainda falta
muito para isso, diz. É preciso calma,
adverte o médico Roger Abdelmassih. A equipe promete implantar
os 15 embriões nas vacas até o final de março.
Se a gravidez se desenvolver sem problemas, os filhotes serão
avaliados em 2002. Por enquanto, a ordem é esperar pelos
primeiros bezerros. 
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