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 CIÊNCIA E TECNOLOGIA
08/03/2001
Internet
continua...

Luz no fim do túnel
- continuação

Max G Pinto

Para Genesini, a crise vai durar mais um ano e meio

Caixa zero – As companhias online que resistiram à debacle da rede não podem contar com novo aporte de dinheiro antes de mostrar a seus investidores que conseguem sobreviver sem depender do mercado especulativo. “Era fácil prever que não havia nada que sustentasse uma farra dessas”, diz António Tavares, presidente do conselho consultivo da Abranet, Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet. Agora, o desafio da empresa da nova economia é mostrar que seu negócio e sua possibilidade de lucro não são virtuais como seus sites.

A busca pela lucratividade disparou quando o índice Nasdaq – que reúne ações de companhias de alta tecnologia negociadas na Bolsa de Valores de Nova York – despencou pela metade. Caiu de 5.000 pontos, no começo do ano passado, para 2.183, no primeiro dia de março. Por isso, corporações que valiam alguns bilhões de dólares há menos de dois anos viraram o milênio com caixa a zero. Cada papel da loja virtual de brinquedos eToys, por exemplo, era cotado a US$ 86 em outubro de 1999. Há duas semanas, a ação valia menos de um centavo, as dívidas ultrapassaram os US$ 274 milhões e dos 1.000 empregados sobraram sete. Na quinta-feira 8, o site deve encerrar suas atividades após uma queima de estoque com descontos de 75%. Verdadeiro ícone da chamada nova economia, a Amazon Books lançou seus papéis na Bolsa nova-iorquina em 1995. Há dois anos, cada ação valia US$ 218. Hoje, não ultrapassa US$ 11. Outras empresas que se preparavam para a tão sonhada oferta pública de ações nas Bolsas revisaram seus projetos e acionaram a tesoura para cortar gastos.

Tantas demissões e reajustes num mesmo período estão longe de ser mera coincidência. “As companhias fecharam os balanços do ano 2000 e decidiram reduzir a folha de pagamento para cumprir objetivos de rentabilidade ou até de prejuízos mais razoáveis”, explica Dário Dal Piaz, vice-presidente para a América Latina da consultoria Yankee Group. Para ele, as empresas de internet superestimaram o potencial do mercado.

O portal Starmedia começou sua reestruturação em setembro do ano passado. O lado mais traumático do processo foi o corte de 135 empregos no Brasil, nos EUA e em outros oito países de língua latina. “Nossa intenção é antecipar a meta de lucratividade para o último trimestre deste ano, em vez de esperar até o início de 2003”, explica Francisco Loureiro, diretor de operações do portal baseado em Nova York. Desde sua criação, em 1997, a empresa recebeu US$ 450 milhões de investimento.

Promessa – Como de praxe, a corda sempre estoura do lado mais fraco. A jornalista Olga Vasone, ex-apresentadora do programa Globo Rural, aceitou em abril do ano passado o cargo de editora no provedor de internet grátis Super11.net. Olga foi atraída pela promessa de aumento rápido no salário de R$ 5.500 e pela possibilidade de ganhar até R$ 30 mil em ações da empresa, uma espécie de prêmio por produtividade. As expectativas de Olga foram por água abaixo quando, cinco meses depois da admissão, ela chegou para trabalhar e encontrou a empresa de portas fechadas. Literalmente. Hoje, a jornalista e os outros cerca de 120 demitidos tentam receber na Justiça os salários atrasados e direitos trabalhistas devidos pela empresa, que se associou ao iG.

Nos EUA, processos movidos contra ex-patrões já são corriqueiros. Funcionários demitidos tentam recuperar na Justiça o que não conseguiram receber no contracheque. Ainda mais em uma área em que não há como respeitar o horário comercial de trabalho e que raramente, quando nunca, se pagam horas extras.
Há quem se preocupe somente em conseguir um novo emprego. Há cinco meses, o engenheiro mecânico gaúcho Clayton de Oliveira Júnior, 28 anos, largou a microempresa que tinha em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, motivado por propostas de sites sediados em São Paulo. Como chefe de design do Cidade Internet, ganhava R$ 4 mil mensais. Trabalhava todos os dias das 11h30 às 23h30 e era tirado da cama para resolver problemas em plena madrugada. No final do ano, pensou que teria sossego quando foi passar uma semana com a família em Santa Maria. Engano. No terceiro dia de descanso, foi chamado de volta para dedicar-se a um novo projeto. Menos de um mês depois, ele e mais 29 colegas perderam o emprego. Oliveira ainda procura uma nova colocação, desta vez bem longe de iniciativas pontocom.

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