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CIÊNCIA
E TECNOLOGIA
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08/03/2001 |
Luz no fim do túnel
Apesar
do recorde de demissões e dos ajustes, a rede mundial ainda reserva
boas oportunidades
Henrique
Fruet e Juca Rodrigues
| Ag.
Tony Stone |
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A internet
está na UTI. O século XXI começou marcado por
falências e demissões em massa nas empresas pontocom
do Brasil e do mundo, comprovando a tese de que a euforia da rede
mundial era mesmo uma bolha. Ela explodiu e deixou atônita
uma multidão de profissionais que, assim como na corrida
do ouro, apostou tudo na expectativa de enriquecimento rápido.
Em vez dos salários vultosos e da ascensão meteórica
na carreira, o que se viu foi o ouro de tolo: cortes na folha de
pagamento, excesso de trabalho e muito desânimo com a chamada
nova economia. Passada a tormenta, espera-se que agora reine a calmaria,
já que ainda há muita luz no fim da fibra óptica.
De
acordo com o site Webmergers.com, especializado em fusões
e aquisições da nova economia, pelo menos 210 empresas
de internet desligaram seus computadores para sempre em 2000. Quase
dois terços das falências ocorreram a partir de novembro
passado, num movimento que ainda não terminou. Nos primeiros
dois meses do novo milênio, empresas virtuais como CNN.com,
Altavista, AOL Time Warner, El Sitio, WalMart.com, 3Com e Amazon
ceifaram o quadro de funcionários. No Brasil, a situação
não foi diferente. Planeta Imóvel, UOL, Cidade Internet,
iG, Submarino, E-ritmo, Estadão.com, Elefante, Guia Local
e Arremate também aderiram à degola. Resultado: cerca
de 300 novos desempregados. Segundo a consultoria americana de recolocação
profissional Challenger, Gray & Christmans, no mundo todo houve
12.828 demissões só em janeiro. Significa quase um
terço do total de cortes ocorridos durante o ano de 2000.
As
causas da explosão da bolha são várias, mas
a principal delas foi a forma como a maior parte das empresas começou
seu negócio. O mercado era promissor, e por isso as companhias
nasceram com grande infra-estrutura, polpudas verbas de marketing,
salários altíssimos e pensamento fixo na oferta pública
de ações nas Bolsas de Valores. Esqueceram-se de um
princípio básico para o sucesso de qualquer empresa,
seja da nova, seja da velha economia: o lucro. A internet
de hoje lembra as pirâmides ou as correntes de dinheiro, em
que pouquíssimas pessoas lucram, diz o investidor Pedro
Mello, fundador da InternetCo Investments. Sua verba anual de US$
5 milhões é reservada para alavancar operações
de empresas que nascem pequenas, com folha de pagamento enxuta.
Só recebe mais dinheiro quem tiver bons resultados no fim
do mês.
| Ricardo
Giraldez |
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Clayton trabalhava pelo menos 12 horas por dia
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A
internet era um negócio de empreendedores individuais que
ganharam muito dinheiro nos primórdios, mas isso acabou,
afirma Silvio Genesini, sócio-diretor da consultoria Accenture,
antiga Andersen Consulting. Agora os empreendimentos terão
que estar associados a grandes bancos, grupos de mídia ou
de telecomunicações, completa. Foi-se o tempo
em que alguém montava um site para depois revendê-lo
por somas milionárias. O empreendedor carioca Jack London
criou em 1996 a primeira livraria virtual brasileira, a Booknet.
Três anos depois, passou adiante a empresa para um fundo de
investimentos ligado ao grupo GP. O valor da negociação
ficou em segredo, mas foi suficiente para London montar outros quatro
sites, entre eles o de leilões online Valeu. Primeiro
vivemos a fase da inovação e dos riscos, depois veio
a excitação do mercado e este ano será de extrema
crise, prevê Jack London.
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