| ARTES
& ESPETÁCULOS |
28/02/2001 |
Livros
I
Pai
do povo
Dostoiévski
critica os líderes ideológicos
Luciano
Trigo
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Prensa
Três
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DOSTOIÉVSKI:
tom farsesco e enredo engenhoso.
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Invejoso
e egoísta, charlatão e mistificador, cruel e inescrupuloso,
o agregado Fomá Fomitch faz da exploração da
ingenuidade e da ignorância alheias a sua razão de
viver. Humilhado no passado, gosta de humilhar no presente. Semiculto
num mundo de estúpidos e iletrados, exerce uma pequena tirania
sobre todos à sua volta, principalmente o coronel Iegor Ilitch
Rostaniov, em quem a bondade e a inocência se confundem com
a tolice, de tanto que se deixa ludibriar. Eles são personagens
de A aldeia de Stiepântchikov e seus habitantes (Nova
Alexandria, 240 págs., R$ 26), romance de Fiódor M.
Dostoiévski, traduzido pela primeira vez para o português
diretamente do russo, mas não inédito no Brasil, pois
integra o volume 1 das Obras completas do autor, lançado
em 1963 pela editora Nova Aguilar com o nome de A granja de Stiepântchikov.
Escrito em 1859 logo após o exílio de Dostoiévski
na Sibéria, quando ele precisava reconquistar a atenção
dos leitores o que explica seu tom farsesco , o texto
apresenta um engenhoso enredo de intrigas e confusões. Gira
em torno da família de um proprietário de terras cercado
por parasitas e mostra não somente o talento de prosador
satírico do escritor russo como marca seu amadurecimento.
Apesar
do viés cômico e popular, a partir de A
aldeia, Dostoiévski não será apenas um
fabulista inventivo. O retrato de Fomá Fomitch é também
um pretexto para reflexões sobre a ordem social e o caráter
nacional russos e para uma investigação psicológica
que, associada a questões metafísicas e religiosas,
atingiria horizontes inimagináveis em seus grandes romances.
Sem prejuízo do valor atemporal de sua obra, Dostoiévski
usava sua ficção para participar dos debates políticos
de seu tempo. Nacionalista e eslavófilo, ele também
se opunha à assimilação cultural, para escândalo
da intelectualidade revolucionária, que passou a vê-lo
como um reacionário convicto. 
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