| ARTES
& ESPETÁCULOS |
21/02/2001 |
Livros
II
Mea-culpa
Jornalista
critica os exageros da imprensa
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José
Cordeiro/AE
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Nery:
lista de “injustiçados” da história política do Brasil
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Ao
completar 49 anos de jornalismo, Sebastião Nery optou por
uma comemoração no mínimo curiosa. Seu livro
Grandes pecados da imprensa (Geração Editorial, 296
págs., R$ 25) coloca a mídia brasileira na berlinda
ao tecer uma tese sobre a utilização incorreta dos
meios de comunicação, que costumam mover campanhas
para desmoralizar figuras díspares e distanciadas historicamente.
Já na abertura, Nery lembra a notícia de sua prisão,
em 1952, na qual ganhou a alcunha de perigoso subversivo.
Segundo o autor, ele não passava de um estudante às
voltas com seu primeiro emprego no jornal mineiro O Diário.
Desde então, passou a dividir o jornalismo em 50% de verdade
e 50% de fantasia. Não existe imprensa isenta,
diz Nery.
Sob
esta ótica, analisa as injustiças sofridas pelas personalidades
escolhidas por parte da imprensa. No caso de Ruy Barbosa,
conta que as más notícias sistemáticas sobre
ele barraram a pretensão do baiano de tornar-se presidente
da República. Ao lembrar Juscelino Kubitschek, fala da informação
plantada espalhando a aura de milionário corrupto
do ex-presidente. Referindo-se ao ex-governador Orestes Quércia,
rememora o caudaloso noticiário que municiou as acusações
de enriquecimento ilícito, desde seu mandato como prefeito
de Campinas. E, finalmente, tenta redimir Alceni Guerra evocando
o escândalo das bicicletas que derrubou o então ministro
da Educação do governo Collor. Sebastião Nery
promete para breve outro livro sobre o assunto: Grandes pecados
da imprensa 2, focalizando os ex-presidentes Getúlio Vargas
e João Goulart, o ex-governador de Minas Gerais, Israel Pinheiro,
e o ex-ministro dos Transportes do governo Médici, Mário
Andreazza. 
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