Agricultura
O Ataque vietnamita
A Ásia ocupa cada vez mais espaço no mercado de café. O Brasil
ainda é líder, mas a Colômbia perde o segundo lugar
Antonio
Luiz Monteiro Coelho da Costa
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A imagem
de que a América Latina é a terra do café e a Ásia, do chá, está
ruindo. De acordo com levantamento recém-divulgado pela consultoria
alemã F.O. Licht, o Vietnã tornou-se neste ano o segundo maior produtor
e exportador de café do mundo, superando a Colômbia. Agora, fica
atrás apenas do Brasil. Indonésia e Índia também se colocam entre
os líderes do mercado mundial. Os novos produtores têm-se aproveitado
da preferência de grandes consumidores como EUA e Alemanha. Estes
vêm procurando inviabilizar a tentativa dos fabricantes tradicionais,
organizados na Associação dos Países Produtores de Café (APPC),
de sustentar o preço do café através da limitação da produção.
Até
a década de 80, as vendas e os preços do café eram negociados dentro
da Organização Internacional do Café, que reunia fabricantes e consumidores.
Em 1989, os EUA boicotaram o acordo, visando forçar a queda dos
preços do produto. Conseguiram. Em países onde a produção se concentra
em pequenas propriedades, como a Colômbia, muitos agricultores faliram
– ou começaram a substituir o café por plantações de coca e papoula,
que os EUA agora se esforçam para erradicar.
Os
países produtores reagiram. Reorganizaram-se unilateralmente na
APPC e hoje estão retendo 20% da produção, para tentar fazer com
o café o que a Opep faz com o petróleo. Só que é muito mais fácil
plantar café fora da APPC do que descobrir petróleo fora da Opep.
Embora ainda represente 70% da produção mundial, a APPC está perdendo
a queda-de-braço para o cartel dos compradores (quatro empresas
compram 70% do café exportado em todo o mundo), que na maior parte
do tempo tem conseguido comprar o produto a preços baixos, sem reduzir
na mesma proporção o preço ao consumidor.
O
Brasil ainda lidera com folga o mercado mundial, mas, neste ano,
perdeu o primeiro lugar nas exportações para os EUA. Caiu para a
quarta colocação, atrás de Colômbia, México e Guatemala. De janeiro
a agosto de 2000, o Brasil forneceu apenas US$ 181 milhões ou 10,6%
do total comprado pelos EUA, contra US$ 313 milhões ou 19,1% no
mesmo período de 1999. Há muito nosso café deixou de ter o papel
central que tinha na República Velha (1889-1930), mas em 1998 e
1999, ainda representou 4,6% das exportações, perdendo só para o
minério de ferro. Este ano, o café desceu para o nono lugar na nossa
pauta de exportações, representando apenas 2,8% do total. A queda
foi suficiente para impedir que o Brasil conseguisse um saldo comercial
positivo em 2000.
A produção
do Vietnã passou de 1,5 milhão de sacas em 1990 para cinco milhões
em 1996 e para dez milhões este ano e transformou-se na maior exportação
do país, superando o arroz. A esperança dos cafeicultores é que
o Vietnã, agora que está instalado na posição de grande produtor,
cumpra a promessa de colaborar com a APPC também retendo parte de
sua produção a partir deste final de ano.
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