CAPA
 ÍNDICE

 EXCLUSIVO ONLINE

 REPORTAGENS
 MULTIMÍDIA
 FOTO DA SEMANA
 ENSAIOS FOTOGRÁFICOS
 ISTOÉ CONFERE
 ARTIGOS
 ESTAÇÃO DA LUZ
 BATE-PAPO ÍNTEGRAS
 EDITORIAS
 ARTES & ESPETÁCULOS
 BRASIL
 CIÊNCIA & TECNOLOGIA
 COMPORTAMENTO
 ECONOMIA & NEGÓCIOS
 EDUCAÇÃO
 ENTREVISTA
 INTERNACIONAL
 MEDICINA & BEM ESTAR
 POLÍTICA
 SEÇÕES
 A SEMANA
 CARTAS
 DATAS
 EDITORIAL
 EM CARTAZ
 FAX BRASÍLIA
 GENTE
 SÉCULO 21
 VIVA BEM

 BIBLIOTECA ISTOÉ

 EDIÇÕES ANTERIORES
 ESPECIAIS
 BUSCA

 Procure outras matérias



 BRASIL
Governo

O monstro se mexe no porão
General Cardoso admite que não controla arapongas da Abin, mas garante que usa o imenso poder que tem “com correção”

Andrei Meireles e Ricardo Miranda

André Dusek
Investigado e investigadores O jornalista Andrei (à esq.) e os generais Alves e Cardoso conversam no Planalto: quem controla a agência?

O general Alberto Cardoso, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, dirige um caminhão sem freios. No comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) desde 14 de abril de 1996, o oficial de 60 anos, espírita e com reputação de liberal, não consegue, mesmo com uma mudança de sigla e um discurso ético, remover o coração do monstro criado pelo general Golbery do Couto e Silva, no início do regime militar. Dez anos depois da extinção do Serviço Nacional de Informações (SNI), a Abin repete os métodos de um dos filhotes mais nefastos da ditadura militar. Continua espionando figuras públicas, como o governador de Minas Gerais, Itamar Franco; comprando a rodo, quase sempre sem concorrência, equipamentos típicos de espionagem, como máquinas fotográficas e filmadoras, e ainda fazendo as abomináveis fichas de pessoas que se encaixariam no perfil de “ameaças ao Estado e à sociedade”. Pior: cabe a Cardoso decidir, sozinho, se uma investigação ou denúncia vai para a mesa do presidente – um andar abaixo do seu –, para o purgatório de alguma gaveta ou entra direto no triturador instalado ao lado de sua mesa, sem nenhum registro para a posteridade. É poder demais e controle de menos.

André Dusek
ESPIÃO Udini: “Muita gente age por conta própria”

O general Cardoso jura que usa esse poder com correção. Não é bem assim. Na primeira semana de setembro deste ano, o governador Itamar Franco foi informado por generais da reserva que estava sendo espionado em Belo Horizonte e em Brasília por arapongas da Abin. Quando o Palácio do Planalto enviou tropas do Exército à fazenda da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG), a pretexto de evitar uma invasão do MST, Itamar se convenceu de que estava em curso uma tentativa de desestabilizá-lo. Imediatamente, procurou militares em Brasília, entre eles o presidente do Superior Tribunal Militar, brigadeiro Sérgio Ferolla. De acordo com um araponga fiel a Itamar e que continua na Abin, essa movimentação do governador – inclusive uma reunião na casa do ministro Maurício Correia, do Supremo Tribunal Federal – foi acompanhada por agentes do general Cardoso. Na terça-feira 14, quando o próprio Cardoso admitiu ter recebido um informe sobre Itamar, o governador contra-atacou e responsabilizou FHC pela espionagem. Em carta ao presidente, classificou o ato como um “risco ao estado de direito”.

CLIQUE PARA VER AMPLIADO
Fichas I

O chefe da Abin mostrou um empenho todo especial no escândalo envolvendo Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência. No final de agosto, o general Cardoso enviou um informe reservado aos serviços de inteligência do Exército, da Marinha e da Aeronáutica determinando que toda informação relativa a EJ fosse repassada à Abin. A partir daí, só a Inteligência do Planalto cuidaria do caso. Esse foi o lado invisível da operação abafa feita para proteger o ex-coordenador da campanha de reeleição de FHC. Nessa mesma época, Eduardo Jorge tentou tranquilizar os seus parceiros investigados por ISTOÉ: contou que os passos do jornalista Andrei Meireles, da sucursal de Brasília, estavam sendo monitorados. Não disse por quem. A revista Veja revelou na semana passada que a Abin levantou a ficha do repórter, produzida desde os tempos da ditadura. Na segunda-feira 13, o diretor-geral da Abin, Ariel Rocha de Cunto, em carta enviada a Andrei, assegurou que “os registros disponíveis são anteriores a 30 de setembro de 1987”. Mesmo tendo prometido a ISTOÉ entregar a ficha integral do jornalista, o general Cardoso forneceu apenas um extrato assinado pelo diretor do Centro de Documentação da Abin, David Bernardes de Assis, que inclui um registro da participação de Andrei numa reunião do PCB em 24 de agosto de 1989 – dois anos depois da data anunciada pelo coronel De Cunto. Em 1989 já estava em vigor a nova Constituição, que proíbe a espionagem política.

CLIQUE PARA VER AMPLIADO
Fichas II

Não são apenas os que incomodam o governo que entram na mira da turma do general Cardoso. Vale até rixa pessoal. O ministro da Saúde, José Serra, por exemplo, caiu em desgraça na Abin por ter atropelado uma investigação dos arapongas. Foi Serra quem levou o dossiê Cayman a FHC e disse que estava sendo ameaçado em telefonemas anônimos. Chamado pelo presidente, o general pediu que o assunto fosse mantido em sigilo durante a apuração. Dias depois, a notícia sobre a existência do dossiê – uma suposta conta do alto tucanato num paraíso fiscal, incluindo FHC e o próprio Serra – foi divulgada pelo jornalista Elio Gaspari. O general responsabilizou o ministro da Saúde pelo vazamento.

A verdade é que o general Cardoso não sabe o que andam fazendo os mais de 900 “analistas de informações” responsáveis por levantar o que se encaixa no elástico conceito de assuntos de Estado. “De vez em quando chegam documentos que não são do nível estratégico. Quando aparece algo, sempre é devolvido por mim junto com um cartãozinho dizendo: isso não é do nosso nível”, explica. Em entrevista a ISTOÉ, na qual estava acompanhado do general Jorge Alves de Carvalho, Cardoso não respondeu se a Abin tem ficha de João Pedro Stédile, líder do MST – um dos alvos preferenciais da arapongagem oficial –, e limitou-se a dizer que considera de “probabilidade baixa” que uma ex-funcionária da agência tenha espionado o procurador Luiz Francisco de Souza. Não negou que seus agentes continuem investigando clandestinamente. “Alguém aqui controla os filhos? Essa gente não deixa rastro.” Só que eles andam deixando rastro. O funcionário da Abin no Rio Temílson Resende, o Telmo, foi acusado pela Polícia Federal de ter instalado um grampo no BNDES que derrubou alguns dos principais auxiliares do presidente. Ele saiu da Abin pela porta da frente, aderindo a um Plano de Demissão Voluntária e vai ganhar uma bolada pelos “serviços prestados”.

próxima>>

LEIA TAMBÉM



Agora, a explicação

O drama dos
sem-pátria

Mas que balé chato!

O monstro se
mexe no porão

A vez de Solange

Mais problemas

 

 
ENQUETE 1
 
Qual sua prioridade
neste fim de ano?
 

• Pagar dívidas

  • Fazer dívidas
  • Arranjar emprego
  • Aproveitar as festas
  • Trocar de carro
  • Reformar a casa
  Emagrecer
Vote aqui

ENQUETE 2
Qual seu maior
desejo na velhice?
  • Viajar muito
  • Ter uma casa
  • Ter uma grande família
  • Ficar sozinho
  • Morar no mato
  • Morar na praia
  • Escrever um livro
  • Praticar esportes
  • Torrar dinheiro
Vote aqui

FÓRUM 1

Qual seu maior
medo na velhice?


FÓRUM 2

O Banespa pertence
agora ao banco espanhol Santander. O que
você acha disso?


ASSINATURAS

EXPEDIENTE

PUBLICIDADE

FALE CONOSCO


ASSINE A
NEWSLETTER


 

| ISTOÉ ONLINE | DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | PLANETA | ÁGUA NA BOCA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2000 Editora Três