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Seleção

Mas que balé chato!
O futebol bailarino do “coreógrafo” Leão fica no camarim

Chico Silva

Fotos: Reuters
Roque Jr. comemora seu gol em meio a restos de bandeiras lançadas pela torcida e o técnico Leão

Vaias, xingamentos, sofrimento e até chuva de bandeiras. O que se viu na quarta-feira 15, no Morumbi, foi o remake da coreografia insossa exibida nos tempos de Wanderley Luxemburgo. A seleção, sob o comando do “coreógrafo”, repetiu, na magra vitória por 1 a 0 sobre a Colômbia, os erros e pecados do antecessor. Na estréia da companhia sob a sua batuta, o tal “futebol bailarino” apregoado por ele assim que assumiu ficou no camarim.

Sem o bailarino principal, Romário, cortado após mais uma lesão muscular, e com poucos ensaios, a coreografia tornou-se previsível e repetitiva. Uma faixa estendida na arquibancada sintetizava a agonia do público: “Socorro! Romário e + dez!” França e Edmundo decepcionaram. Antes do jogo, Romário havia provocado a dupla. “Agora, os outros vão brigar para saber quem será o meu parceiro”, disse o Baixinho com a pose de um Rudolph Nureyev, amparado pelos sete gols marcados em apenas duas partidas das Eliminatórias.

Rivaldo, de novo, não agradou. O jogador do Barcelona, eleito o melhor do mundo em 1999, recebeu novamente a missão de ser o cérebro da companhia. E mais uma vez demonstrou não estar apto para a função. Magoado com a platéia, que o xingou, ele admite pedir dispensa das próximas convocações. A exibição monótona do time provocou uma explosão de raiva. Enfurecidos, os torcedores arremessaram ao gramado cabos de plástico e bandeirolas brasileiras. A exibição não agradou torcedores, comentaristas e nem mesmo coreógrafos e bailarinos, os verdadeiros profissionais do ramo (leia quadro). Na coletiva, o técnico, numa postura bem distinta da de Luxemburgo, foi solícito. “Temos de ensaiar esses bailarinos. Precisarei ser um bom coreógrafo”, disse. O próximo jogo do Brasil nas Eliminatórias será apenas em março. O novo treinador brasileiro começa a sentir na pele a dor e a delícia de administrar a paixão de milhões de torcedores pouco dispostos a analogias delicadas. 

 

 

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