Crime
Organizado
A vez de Solange
Justiça interdita bens de ex-assessora de Élcio
Álvares, que ainda vai enfrentar a CPI do Narcotráfico
Andrei
Meireles
|
Ricardo
Stuckert
|
 |
A advogada
Solange Antunes Resende, amiga, sócia e ex-superassessora do ex-ministro
da Defesa Élcio Álvares, estava convencida de que conseguira escapar
ilesa das investigações sobre suas falcatruas e ligações com o crime
organizado no Espírito Santo. Sua impunidade estava garantida pelo
presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Veloso,
que, em dezembro do ano passado, impediu que a CPI do Narcotráfico
quebrasse os sigilos bancário, telefônico e fiscal dela e de seu
irmão e sócio Dório Antunes. Doce ilusão. Na sexta-feira 17, a juíza
da Vara da Fazenda Pública de Vitória, Gisele Nunes Oliveira, acolheu
pedido do Ministério Público e tornou indisponíveis todos os bens
de Solange por ter praticado atos de improbidade administrativa
e falsidade ideológica. O processo se baseia na denúncia – publicada
por ISTOÉ em dezembro passado – de que a sócia de Álvares acumulou
cargos e salários na Prefeitura do município de Serra, no Senado
e no Ministério da Defesa.
CLIQUE
AQUI
PARA VER AMPLIADO |
 |
Funcionária
fantasma, ela entrou na prefeitura a bordo de um trem da alegria
para empregar membros e simpatizantes da Scuderie Le Cocq, sucedânea
do esquadrão da morte. “Seus atos violaram os deveres de honestidade
e legalidade e causaram prejuízo ao erário com enriquecimento ilícito”,
escreveu o promotor Leonardo da Costa Barreto em sua petição contra
Solange.
|
Leopoldo
Silva
|
 |
|
CHEFE Álvares: situação
da amiga fica complicada
|
A amiga
de Élcio Álvares também terá problemas na CPI do Narcotráfico. O
relatório da Comissão, que começa a ser votado na próxima terça-feira,
registra que, devido à proibição de Carlos Veloso, não foi possível
investigar a fundo os sócios do escritório de Álvares. Mesmo assim,
insiste na necessidade de abrir os sigilos dos irmãos Solange e
Dório Antunes e recomenda ao Ministério Público e à OAB uma investigação
sobre as ligações da firma do ex-ministro com o crime organizado.
“O Supremo prejudicou as apurações, mas temos que tomar providências
para evitar que isso resulte em impunidade”, diz o coordenador da
CPI nas investigações no Espírito Santo, deputado Fernando Ferro
(PT-PE).
 |
|
ENRASCADA O Ministério Público pede a indisponibilidade
dos bens de Solange Antunes: ex-assessora do Ministério
da Defesa praticou atos de improbidade administrativa e falsidade
ideológica |
O relatório
do deputado Moroni Torgan (PFL-CE) vai propor também a cassação
pela Justiça Federal do mandato do presidente da Assembléia Legislativa,
deputado José Carlos Gratz (PFL–ES), por seu envolvimento com a
bandidagem capixaba. Gratz ainda está tentando virar o jogo com
chantagem e ameaças. Prometeu como represália divulgar um dossiê
contra o presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES), na expectativa
de que ele ainda lhe dê uma mãozinha para escapar da condenação
da Comissão. “Tenho provas contra o Magno Malta”, diz.
| CLIQUE
AQUI PARA VER AMPLIADO |
 |
Em
seu estilo habitual, Gratz extrapolou: “Não há homem naquela CPI
para se aproximar de mim e me acusar de narcotráfico. Se isso acontecer,
vamos sair dessa palhaçada que é a própria CPI e partir para o lado
pessoal. Aí vai virar guerra de sangue, caso de morte”, vociferou
o dublê de deputado e banqueiro da jogatina. Além de Gratz, a CPI
vai pedir a cassação de outros oito deputados estaduais – cinco
deles de Alagoas – e do deputado federal acreano José Aleksandro
(PFL). 
|