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Livros
Memórias
etílicas
Biografia
esmiúça a vida turbulenta de Charles Bukowski, o autor de Cartas
na rua
Celso
Fonseca
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Reprodução
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Ao
morrer em março 1994, Charles Bukowski levou para o túmulo a mística
do escritor-herói americano. Ele era um criador compulsivo, que
na vida pessoal agia de forma intempestiva, permanentemente movido
pela embriaguez. O estado etílico, no entanto, não o impediu de
ser um autor profícuo, que só tardiamente conheceu a prosperidade,
quando se viu transformado em objeto de culto, cercado de intelectuais
e astros hollywoodianos, dos quais só manteve amizade sincera com
Sean Penn. Toda esta trajetória é mostrada em Charles Bukowski
– vida e loucuras de um velho safado (Conrad, 344 págs., R$
34), do jovem jornalista inglês Howard Sounes, que não poupou esforços
em esmiuçar a existência turbulenta do autor de Cartas na rua
e Mulheres.
De
modo geral, porém, Bukowski teve uma vida modesta e amarga. Escrevia
histórias sórdidas porque passou boa parte da vida entre a escória
de Los Angeles, flertando com a decadência. Só aos poucos seu talento
lhe rendeu oportunidades de viajar e conhecer pessoas, além dos
rudes companheiros do correio onde trabalhou e das moscas dos bares
por onde andava. A fama também lhe trouxe mulheres que, já maduro,
conquistou facilmente. Mas nem sempre fora assim. Seu rosto coberto
por acnes da adolescência o tornou um jovem recluso. O autor americano
nascido na Alemanha purgou com doses e doses de álcool perdas afetivas
e se viu torturado por ciúmes e amores não correspondidos. Mas nunca
dissimulou sentimentos. Gostava de chocar, nem que para isso tivesse
que apregoar pendores pedófilos improváveis e nunca concretizados.
Foi um pai amoroso de sua única filha e também um amigo devotado.
Escritor, poeta e desenhista, Charles Bukowski se coloca na lista
dos artistas completos. Tanto pela coragem como pelo jeito cruel
e ao mesmo tempo sensível de descrever a vida como ela é. 
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