Teatro
Woody
Allen da gema
Domingos
de Oliveira conquista os cariocas
com histórias de amor e tiradas filosóficas
Clarisse
Meireles
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Renato
Velasco
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“Dinheiro é para fazer as peças e os filmes que quero”
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Todo
fim de semana, o saguão do Teatro do Planetário, no
bairro da Gávea, Rio de Janeiro, toma ares de entrada do
Maracanã em dia de clássico. A cena se repete de quinta
a domingo. Desde o início da noite, dezenas de pessoas se
acotovelam e quase saem no tapa por uma entrada. Muitas outras voltam
para casa de mãos abanando. Invariavelmente, os ingressos
já estão esgotados mais de uma hora antes do início
do espetáculo Todo mundo tem problemas (sexuais), baseado
em cartas recebidas pelo psicanalista Alberto Goldin, que assina
uma coluna sobre sexo no jornal O Globo. À frente do elenco
está o ator Pedro Cardoso. Além da gaiatice do protagonista
e do tema de interesse geral, o responsável por um dos maiores
sucessos da temporada teatral carioca é o diretor da peça
o dramaturgo, cineasta, ator e escritor Domingos de Oliveira.
Aos
64 anos, Oliveira está mais produtivo do que nunca. A
decadência física é inevitável, mas nunca
trabalhei melhor que agora, explica. Esta é a 44ª
peça de sua carreira, a 14ª que monta desde 1996, quando
assumiu o Teatro do Planetário, e a terceira direção
só este ano. Além do atual sucesso, prepara-se para
reestrear Isabel, com Maitê Proença, cujo retorno coincide
com o lançamento em DVD de seu primeiro e mais elogiado filme,
Todas as mulheres do mundo, de 1966, com a ex-mulher Leila Diniz
e Paulo José nos papéis principais. Na época,
os dois tinham colocado ponto final em um casamento de três
anos. O filme é o retrato da nossa separação.
Foi muito doloroso fazê-lo, mas necessário.
| Ronald
Theobald/AJB |
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Com Leila Diniz e Marieta Severo: separação
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Mostrar
com sensibilidade estes momentos ao mesmo tempo ridículos
e comoventes virou uma marca de Oliveira. Em cinco anos como diretor
artístico do Planetário, ele vem conquistando um público
fiel com histórias de amor e frustrações, recheadas
de tiradas filosóficas. Por conta da perspectiva pessoal
e emocional extremadas, em diversas situações das
peças se tem a impressão de que Oliveira interpreta
a si mesmo, como um Woody Allen carioca. Não por acaso, se
confessa fã do diretor nova-iorquino. No momento, está
rodando Separações, baseado na peça homônima
que fez sucesso no início do ano no palco do Planetário,
mesmo caminho trilhado há dois anos por Amores.
Oliveira
filmará em vídeo digital, para baratear os custos,
e pretende ter a primeira metade pronta em uma semana, num esquema
de filmagens caseiro, quase familiar. O investimento inicial é
de apenas R$ 30 mil. A estratégia é uma forma de arregaçar
as mangas e começar a trabalhar logo, sem esperar pelo interminável
processo de captação de recursos. Esta situação
transforma os artistas em pedintes, me recuso a perder tempo em
corredores de empresas, desabafa Oliveira. Como fez em Amores,
juntou amigos atores com quem trabalha sempre, investindo até
suas próprias economias. Por essas e outras, o pai da atriz
e escritora Maria Mariana, 26 anos, não tem casa própria
nem carro. Para quê? Dinheiro é para fazer as
peças e filmes que quero, diz. Luxo é ir muito
ao cinema, comprar livros e CDs e tomar uísque com a turma.
Mesmo porque sua conhecida boemia anda cada vez mais escassa. É
que desde a chegada da neta Clara, oito meses, ele tem ficado mais
caseiro. Vai sobrar tempo para o trabalho. 
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