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Implante de células dá vida a músculo cardíaco
Cientistas
franceses e um brasileiro estão comemorando uma façanha inédita.
Eles fizeram o primeiro transplante em seres humanos de células
musculares da perna para o coração. O procedimento, feito em junho
em Paris e anunciado na semana passada, foi realizado para devolver
vida a uma parte lesada do músculo cardíaco, melhorando a função
do órgão. E, ao que parece, deu certo. O paciente, um senhor de
68 anos vítima de insuficiência cardíaca – o músculo do coração
perde a capacidade de fazer os movimentos para bombeamento do sangue
–, está bem e há sinais de que a região afetada pela doença voltou
a ter movimentação.
A estratégia
de usar novas células para revigorar o coração é estudada há anos.
A equipe da França escolheu os mioblastos, células que regeneram
os músculos esqueléticos (os que ficam ligados aos ossos) quando
há lesões. A escolha não foi aleatória. Os mioblastos se multiplicam
facilmente em laboratório, o que é importante porque, para o transplante,
são necessários milhões de células. Também são mais resistentes
e são tiradas do paciente, evitando a rejeição. As experiências
feitas antes em animais mostram que, injetadas no coração, elas
formam novas fibras musculares. “É exatamente isso que estamos observando
com o paciente”, informou o médico Márcio Scorsin, 43 anos, integrante
da equipe. As células retiradas da perna do doente foram multiplicadas
em laboratório e injetadas no coração numa operação que durou 15
minutos. Há oito pacientes na fila para a operação. Scorsin, no
entanto, prefere ser cauteloso. “A técnica ainda é experimental”,
ressalva.

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