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Medidas extremas - continuação

Juliane Zaché, Lena Castellón e Lia Bock

Ricardo Giraldez
Reeducação: Iaramar perdeu peso ao adotar hábitos alimentares saudáveis e exercícios

De fato, os cuidados continuam depois da operação. É preciso acompanhamento médico porque há risco de anemia por falta de ferro e de vitaminas, já que o corpo absorve menos nutrientes. E às vezes são necessárias correções cirúrgicas, com métodos menos agressivos. Vale lembrar que a redução gástrica em Y pode ser feita com incisões grandes ou pela laparoscopia (com corte menor). A banda gástrica requer apenas laparoscopia. Foi o tamanho dos cortes que levou o empresário Wladimir Reis, 25 anos, 140 quilos e 1m75, a escolher a segunda cirurgia. Reis consulta-se com médicos que atendem seu pai, o comerciante Carlos, um ex-obeso que emagreceu depois de sofrer infarto e diabete. Reis também sabe da importância do apoio psicológico. Isso porque, feita a cirurgia, ele não poderá mais comer o que quiser. Não dá para pensar em repetir um prato de feijoada. “A cabeça pode não funcionar direito”, emenda. Ele tem razão. De acordo com a psicóloga Rejane Sbrissa, a operação mexe com a mente. “A cirurgia pode gerar distúrbios como a depressão. Não é fácil deixar de comer o que se comia antes”, justifica.

Foto: Hélcio Nagamine
Controle: Coyama fez cirurgia e emagreceu 55 quilos

As cirurgias redutoras de estômago são as formas mais contundentes contra a obesidade, mal que coloca sua vítima na berlinda. A cobrança por uma silhueta perfeita beira o insuportável. “A preocupação com o corpo se tornou excessiva”, alerta o endocrinologista Alfredo Halpern, do Albert Einstein. A endocrinologista Regeane Cronfli, concorda e alerta. “Com a auto-estima baixa, eles ficam dispostos a fazer de tudo para perder peso”, diz. Na esteira da neurose, a indústria do emagrecimento fácil se fortalece. “Há laboratórios com supostas fórmulas naturais que prometem fantasias”, diz Halpern. O cardiologista Nabil Ghorayeb, de São Paulo, reforça a tese. Ele descobriu uma artimanha de farmacêuticos que trabalham com manipulação. “Trocam o nome de substâncias por siglas. A pessoa nem sabe que está tomando hormônios misturados com diuréticos ou estimulantes”, exemplifica. Essas misturas são perigosas porque podem causar até danos cardiovasculares.

Foto: Alan Rodrigues
Reis, ao lado do pai, Carlos, se prepara para ser operado

Fórmulas – O pior é que, muitas vezes, os doentes são mal orientados por profissionais, em geral não especializados em obesidade. “Vêem-se pacientes tomando fórmulas com mistura de anfetamínicos, diuréticos e doses exageradas de hormônios de tireóide”, comenta o endocrinologista Linneu Silveira. A combinação é desastrosa. O hormônio da tireóide em excesso estimulará a perda de músculo, e de peso, portanto. Para se defender, o corpo cria mecanismos para recuperar os quilos perdidos. Os diuréticos levam a uma perda perigosa de líquido. Já os anfetamínicos, inibidores da fome, causam dependência e têm efeitos como o aumento da pressão arterial e taquicardia. “Por isso devem ser utilizados por pouco tempo”, diz Simão Lottenberg, do HC/SP. A estudante Isamaris Lima, 20 anos, sentiu os efeitos dessas drogas, consumidas durante quatro anos. “O remédio me deixava agressiva. Gritava com todos”, desabafa. Há um ano, ela venceu a batalha contra a gordura depois de uma gastroplastia.

Alan Rodrigues
Metamorfose: Isamaris usou anfetamínicos durante quatro anos, sem sucesso. Só emagreceu com operação de redução do estômago

Outra armadilha na qual os gordinhos caem são as dietas que prometem corpo de modelo em tempo recorde. Elas atraem milhares de adeptos. “Quando as pessoas se sujeitam a dietas da moda estão desesperadas”, acredita a nutricionista Mirtes Stancanelli. E quem lança esses cardápios engorda os lucros. “As dietas são boas para o bolso de muitos”, critica o endocrinologista Walmir Coutinho. O problema é que elas oferecem riscos sérios. A maioria, por exemplo, risca do cardápio os carboidratos, presentes em massas e cereais. Primeiro engano. A substância fixa a água nas células. Quando é tirada da alimentação, pode haver desidratação. O carboidrato também é a principal fonte de energia. Na sua falta, o corpo buscará outro recurso, degradando a proteína dos músculos. “O custo disso é alto”, diz a nutricionista Márcia Daskal. Depois de degradada, a proteína é eliminada na urina. Mas como falta líquido, o corpo não consegue expulsá-la e o rim fica sobrecarregado. A dieta baseada no consumo de proteína também é uma arapuca, especialmente se for concentrada em proteína animal. “Esses alimentos são ricos em gordura saturada, que aumentam as chances de problemas cardíacos”, explica Mirtes.

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ENQUETE 1

O que você gostaria de
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Freqüentar academias
Regime com médico
Correr no parque
Reduzir o estômago
Ter boa alimentação
Lipoaspiração
Tomar anfetaminas

ENQUETE 2

Quando você esbarra
em alguém com mau
hálito, qual sua atitude?
Procuro disfarçar
o incômodo

Faço careta

Mando escovar
os dentes
Saio da frente


FÓRUM 1

É possível aos obesos viver em paz, sem discriminação?


FÓRUM 2

Qual sua opinião sobre o projeto do deputado federal Aldo Rebelo, que pretende defender a língua portuguesa limitando o uso de "estrangeirismos"?


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